Cidades

Especialista explica como o dinheiro do petróleo vai ajudar nas pesquisas do Amapá

Pesquisa e inovação: como os recursos do petróleo podem impulsionar universidades no Amapá. Especialistas falam sobre a cláusula de PDI que destina parte da renda do petróleo para financiar ciência, bolsas e infraestrutura.


 

Cleber Barbosa
Da Redação

 

Diário do Amapá- Hoje um tema muito importante: pesquisa, desenvolvimento e inovação. Como os recursos do petróleo podem financiar cientistas e também as universidades locais?

Claudio Jorge – Para começar, a gente traz um dado do Anuário Estatístico da Agência Nacional do Petróleo que fala sobre a chamada cláusula de PDI. As empresas produtoras de petróleo têm a obrigação de investir 1% da sua renda bruta em pesquisa.

 

Diário – Professor, quando a gente fala em 1%, parece pouco, né? Quem é pesquisador ou já foi bolsista sabe que existe toda uma luta para aumentar o valor das bolsas. Mas 1% do mundo do petróleo não é pouca coisa. Desmistifica esse número para a gente: o que isso representa em reais?

Claudio – Márcia, é um recurso muito grande. Para você ter uma ideia, no ano passado foram gerados em torno de 4 bilhões de reais em recursos de PDI destinados às universidades. Esse dinheiro financia não apenas bolsas de mestrado e doutorado, mas também infraestrutura laboratorial, que é algo fundamental para o desenvolvimento da pesquisa.

 

Diário – Sem dúvida, professor. E o Amapá já está de olho nisso. A gente já tem duas instituições credenciadas, não é isso?

Claudio – É verdade. A Universidade Federal do Amapá (Unifap) e a Universidade do Estado do Amapá (UEAP) já estão credenciadas e aptas a receber esses recursos. Agora, o passo seguinte é apresentar projetos para as empresas petrolíferas que têm a obrigação de investir em PDI, para que esses projetos possam receber financiamento diretamente.

 

Diário –  Professor, esse dinheiro é destinado apenas para estudos sobre petróleo?

Claudio – Não. Hoje esses recursos financiam diversos tipos de pesquisa. Há estudos voltados para a transição energética, hidrogênio verde, energia eólica e também para questões ambientais. Ou seja, o recurso não fica restrito apenas ao petróleo e gás.

 

Diário –  Então é uma grande oportunidade para universidades e pesquisadores. As faculdades particulares também podem se credenciar para receber esses recursos?

Claudio – Sim, podem. Existem alguns critérios diferenciados, mas as instituições privadas também podem participar e se credenciar para acessar esses investimentos em pesquisa..

 

Diário –  Então fica a boa notícia: o Amapá já está inserido nesse cenário e a expectativa é que cada vez mais instituições se credenciem, ampliando as oportunidades para pesquisadores e cientistas utilizarem esses recursos previstos na legislação? Professor, obrigado pela participação hoje falando sobre PDI. Na próxima semana a gente volta com outro tema importante. Qual será o assunto?

Claudio – Vamos falar sobre conteúdo local.

 

Diário – Conteúdo local, um tema importantíssimo, principalmente para quem é empreendedor. Vamos falar de geração de emprego e renda, inclusive para pequenos negócios e microempreendedores. Então fique ligado na nossa coluna na próxima semana, professor, obrigada mais uma vez pela presença.

Claudio – Obrigado, Márcia. Obrigado a todos os ouvintes, leitores e internautas do Sistema Diário de Comunicação.

 

 

NOTA DA REDAÇÃO – MÁRCIA ANDREIA ALMEIDA

Jornalista, com Mestrado em Comunicação e Cultura (UFRJ), Doutorado em Ciências Sociais (UFRRJ), pesquisa na participação social em sistemas regulatórios. A jornalista Márcia Andreia Almeida já atuou no Amapá, antes de iniciar carreira acadêmica no Rio de Janeiro.  É pesquisadora do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro, como Ouvidora-Chefe e Gestora do Sistema de Gestão da Qualidade do Instituto. É professora universitária, com mais de 10 anos de experiência docente nas áreas de comunicação e gestão organizacional. Foi professora colaboradora do Mestrado Profissional em Metrologia e Qualidade do Inmetro; é Coach, formada pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), e Auditora Líder da Qualidade (ISO 9001), formada pelo Bureau Veritas (BVQI). Tem experiência profissional em planejamento institucional, gestão de ouvidorias públicas, atuação como Autoridade de Monitoramento da Lei de Acesso à Informação, gestão da qualidade – com ênfase em mapeamento, melhoria e controle de processos -, auditoria de sistemas de gestão, docência do ensino superior e elaboração de material didático instrucional.

 

PERFIL DO ENTREVISTADO – CLÁUDIO JORGE SOUZA

-Graduado em Geologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1989) e Mestrado em Geociências (Geoquímica) pela Universidade Federal Fluminense (1995).
– Especialização em Eng. Sanitária e Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1991)
– MBP Petróleo e Gás pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000).
– Especialização em Administração Pública com ênfase em Óleo e Gás pela Estácio (2017).
– Trabalhou por 10 anos no Inmetro na área de Regulação Técnica de Produtos e Ambiental, em Auditorias da Qualidade em âmbito Nacional e Internacional, bem como, no grupo de Regulamentação Técnica de Produtos para Comércio no Mercosul – (SGT-3).
– Há 14 anos na Agência Nacional do Petróleo – ANP como Especialista em Regulação, e Superintendente Adjunto da área de Dados Técnicos (SDT) e coordenador do Banco de Dados de Exploração e Produção – BDEP.
– Atuou na Superintendência de Pesquisa e Desenvolvimento – SPD, na análise de projetos de P,D&I e Superintendência de Desenvolvimento da Produção – SDP, como responsável técnico de campos de produção.
– Atualmente atua Superintendência de Dados Técnicos – SDT como Superintendente.

 

 


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