Cidades

Famílias cobram medidas urgentes para que navio seja retirado do leito do rio Jari

Familiares protestaram na manhã desta quarta-feira (4) na Praça da Bandeira, em Macapá. Comandante da Capitania dos Portos diz que é necessário projeto de reflutuação para que o navio seja retirado.


Railana Pantoja
Da Redação

Decorridos 5 dias do naufrágio do navio Anna Karoline III, no rio Jari, região sul do Amapá, a embarcação segue no leito do rio, a uma profundidade aproximada de 19 metros. Após o Corpo de Bombeiros Militar do Amapá (CBM/AP) informar que a água do rio está contaminada e isso pararia o trabalho dos mergulhadores, visto que os bombeiros ficam expostos à contaminação e não possuem roupa especial para mergulho nesses casos, familiares protestaram na manhã desta quarta-feira (04) na Praça da Bandeira, em Macapá.

Dulcinéia Barbosa relata que um grupo formado por 10 familiares e 8 amigos embarcaram no navio. Eles iriam participar de uma festa de aniversário de Almeirim (PA). Desse total, 4 conseguiram se salvar e os outros 14 desapareceram.


“O restante da minha família está dentro desse navio. A gente implora, pede que as autoridades do Amapá, o governador, nossos deputados federais, senadores, que lutam por nós, olhem pra gente. Nós precisamos de vocês nesse momento, nossos familiares sobreviventes estão no local passando necessidade”.

Dulcinéia também pediu medidas urgentes para que o navio seja retirado do fundo do rio. “Queremos que as autoridades ou o MPF exijam da Capitania dos Portos a retirada do navio. Falei com o comandante da Capitania e ele informou que não vão retirar. Nós, por conta própria, conseguimos um guindaste, mas o comandante disse que não pode retirar”, lamentou.

Durante coletiva de imprensa no fim da manhã desta terça-feira (04), o comandante da Capitania dos Portos no Amapá, capitão de fragata Carlos Augusto, informou que é necessário um plano de reflutuação para que o navio seja retirado.

“São 500 toneladas, é muito peso. Se não for feito por uma empresa especializada, com acompanhamento de um engenheiro, e um cabo de guindaste estourar, ele vai matar quem tiver por perto. Isso já aconteceu. Não pode ser feito de qualquer forma, não podemos causar um acidente dentro de outro acidente”, explicou.

Dependendo de quando ficar pronto o projeto de reflutuação, o tempo para que a ação ocorra, de fato, varia entre 24h e 48h dentro de uma logística que deve ser planejada a partir da apresentação do plano. Questionado sobre uma possível falha de fiscalização da Marinha do Brasil no Porto do Grego no dia em que o Anna Karoline III saiu de Santana (AP), o comandante pontua que a responsabilidade pela segurança dos passageiros é do proprietário da embarcação.


“Eles são responsáveis por cumprir a norma, eles são legalmente capazes, são habilitados para chegar no comando de uma embarcação. Existe a lista de passageiros feita pelo comandante da embarcação, é de responsabilidade dele  e a Marinha faz a inspeção naval geralmente, mas não checa pessoa por pessoa. A responsabilidade de fazer essa contagem e o despacho  da carga é do comandante. É responsabilidade dele manter a embarcação com segurança. Aqui, nós temos muitos portos, muitas embarcações e atuamos diariamente, mas não podemos esquecer a responsabilidade do comandante”, disse.

O capitão também falou sobre a liberação do navio. “A partir do momento que a embarcação tem certificados estatutários, certificados que comprovem que ela tem uma tripulação e o comandante nos informa, e ele apresenta um despacho válido, ela pode atracar ou desatracar. O comandante tem a responsabilidade de nos dizer a verdade, colocar o máximo de carga permitido e cumprir as normas em vigor”, detalhou.

Além da investigação criminal da Polícia Civil, um inquérito administrativo foi aberto pela Marinha para apurar a causa técnica do acidente. Carlos Augusto garante que a Capitania tem feito ações preventivas.

“Na Operação Carnaval fizemos 300 abordagens e 11 apreensões. Estamos também fazendo uma campanha para conscientizar os tripulantes, criar a mentalidade nas pessoas. Ano passado foram realizadas palestras para 19 mil pessoas, é um trabalho que estamos fazendo nas escolas, com as crianças, em parceria com todos”, finalizou.


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