Cidades

Governo do Amapá apoia pesquisa que desenvolve bioinseticida inovador para combater formigas-de-fogo

Com apoio da Fapeap, pesquisa desenvolvida no sul do Amapá transforma conhecimento tradicional em inovação tecnológica sustentável, com potencial de gerar negócios, empregos e soluções para o controle de pragas


 

O Governo do Estado do Amapá, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap), está apoiando o desenvolvimento de uma solução inovadora e sustentável para o controle das formigas-de-fogo, uma das principais pragas que afetam áreas urbanas e rurais do estado. A pesquisa foi contemplada pela Chamada Pública nº 003/2024 do programa Doutor Empreendedor e resultou na criação de um bioinseticida à base de extratos de pimenta do gênero Capsicum.

 

Coordenado pela pesquisadora Darley Calderaro Leal Matos, do Instituto Federal do Amapá (Ifap), campus Laranjal do Jari, o projeto une pesquisa aplicada, inovação tecnológica e empreendedorismo, com potencial de transferência para o mercado e a geração de impacto socioeconômico para a região.

 

O produto desenvolvido, denominado BioFire Tech, utiliza extratos naturais de pimenta-de-cheiro, malagueta e dedo-de-moça para combater as formigas-de-fogo. Os testes laboratoriais comprovaram que a formulação à base de pimenta malagueta, na concentração de 10%, alcançou até 100% de mortalidade dos insetos em menos de três horas de aplicação.

 

Além da alta eficácia, o estudo demonstrou a estabilidade do produto, que manteve entre 95% e 100% de sua capacidade de combate, mesmo após 30 dias de armazenamento. A pesquisa também identificou compostos fenólicos, flavonoides e atividade antioxidante nos extratos, com melhor desempenho quando associados ao ácido ascórbico (vitamina C).

 

A ideia que deu origem ao projeto nasceu da observação de uma prática popular de pesquisa, um método utilizado popularmente para controlar formigas utilizando extratos de pimenta. A partir dessa experiência, a equipe decidiu transformar o conhecimento tradicional em uma investigação científica rigorosa, que culminou no desenvolvimento do bioinseticida.

 

O projeto já avançou para além da pesquisa acadêmica. Foi criado um protótipo funcional, iniciado o processo de patenteamento da tecnologia e estruturada uma startup para futura comercialização do produto, ampliando as possibilidades de geração de emprego, renda e desenvolvimento sustentável no estado.

 

A iniciativa demonstra como a ciência produzida no Amapá pode responder a desafios locais com soluções inovadoras e ambientalmente responsáveis. Ao utilizar matérias-primas naturais e abundantes na região, o projeto também fortalece a valorização dos recursos amazônicos e incentiva a criação de tecnologias alinhadas aos princípios da bioeconomia e da sustentabilidade.

 

Para a pesquisadora Darley Calderaro Leal Matos, o apoio do Governo do Amapá foi decisivo para transformar a pesquisa em inovação.

 

 

“O fomento da Fapeap foi um combustível necessário para transformar a pesquisa de laboratório em um negócio real e inovador. Por meio do apoio financeiro e institucional do programa, conseguimos ir além dos testes biológicos. O suporte permitiu o desenvolvimento físico do protótipo do bioinseticida e viabilizou a abertura do processo de patenteamento junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), garantindo a proteção da fórmula”, destacou.

 

A pesquisadora ressalta ainda que o incentivo também fortaleceu a visão empreendedora da equipe.

 

“Além disso, o programa impulsionou nossa trajetória empresarial. Pudemos criar a estrutura institucional da empresa, elaborar um portfólio técnico e iniciar a busca por investidores para comercializar o produto, ampliando as perspectivas de inovação e desenvolvimento regional”, afirmou.

 

O presidente da Fapeap, Gutemberg Silva, destacou que iniciativas como essa demonstram o compromisso do Governo do Estado em transformar conhecimento científico em soluções concretas para a sociedade.

 

 

“Investir em pesquisa aplicada é investir diretamente na melhoria da qualidade de vida da população. O programa Doutor Empreendedor foi criado justamente para estimular que o conhecimento produzido nas instituições de ensino e pesquisa se transforme em inovação, gere oportunidades e contribua para o desenvolvimento sustentável do Amapá”, afirmou.

 

Segundo o gestor, o projeto representa um exemplo bem-sucedido da conexão entre ciência, empreendedorismo e desenvolvimento regional.

 

“Essa pesquisa reúne elementos fundamentais para a nova economia baseada no conhecimento: inovação, sustentabilidade, geração de negócios e valorização dos recursos da nossa região. É um resultado que demonstra a importância do apoio contínuo do Governo do Estado à ciência e à tecnologia”, ressaltou.

 

Programa Doutor Empreendedor:

O programa Doutor Empreendedor é uma iniciativa executada pela Fapeap para estimular a transformação do conhecimento científico em soluções inovadoras com potencial de inserção no mercado. A ação busca apoiar pesquisadores doutores na criação e na consolidação de empreendimentos de base tecnológica, fortalecendo o ecossistema de inovação do estado.

 

Por meio de apoio financeiro, capacitação e acompanhamento técnico, o programa incentiva o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores, promovendo a aproximação entre instituições de pesquisa, setor produtivo e sociedade.

 

A Chamada Pública nº 003/2024 integra essa estratégia de fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação no Amapá, contribuindo para a geração de negócios sustentáveis, ampliação da competitividade regional e criação de novas oportunidades de desenvolvimento econômico e social.

 

Com o BioFire Tech, o Amapá passa a contar com uma alternativa sustentável para o controle das formigas-de-fogo, reduzindo a dependência de inseticidas químicos e reforçando o papel da pesquisa científica como instrumento de transformação social e desenvolvimento regional.

 

A iniciativa soma-se a outras ações desenvolvidas pelo Governo do Estado para fortalecer o setor de ciência, tecnologia e inovação, reconhecendo a pesquisa científica como uma ferramenta estratégica para promover o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Amapá.

 

 

Ao investir em pesquisadores, instituições de ensino e projetos inovadores, o governo estimula a produção de conhecimento, a geração de oportunidades e a construção de soluções capazes de melhorar a qualidade de vida da população.

 

O apoio contínuo à ciência reafirma o compromisso da gestão estadual com um modelo de desenvolvimento baseado no conhecimento, na sustentabilidade e na valorização do potencial humano e científico amapaense.

 


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