Cidades

Governo do Amapá intensifica orientações para prevenir doenças durante período de chuvas

Diante do rigoroso inverno amazônico e dos recentes alagamentos, o Governo do Estado e a Sesa reforçam o monitoramento e o apoio às famílias atingidas. O foco é a prevenção de doenças como leptospirose e hepatite A, garantindo assistência rápida em toda a rede de saúde para proteger a população


 

As intensas chuvas que atingiram o Amapá nos últimos dias, especialmente a capital Macapá, acenderam um sinal de alerta para a gestão estadual. Com o transbordamento de canais e o acúmulo de água e lixo em diversos pontos, o risco de contaminação torna-se uma preocupação central. Em reunião no Palácio do Setentrião, governador Clécio Luís reafirmou o compromisso do Estado em atuar na linha de frente, garantindo suporte integral em áreas críticas como saúde, assistência social, segurança e defesa civil para amparar as famílias afetadas.

 

Na área da saúde, o cuidado precisa ser redobrado, especialmente com os grupos mais vulneráveis: crianças e idosos. O contato com a água contaminada, o esgoto e o lixo carregado pelas enxurradas pode ser a porta de entrada para patógenos graves que, se não tratados precocemente, podem levar ao óbito.

 

De acordo com o médico coordenador do Núcleo de Epidemiologia do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), Rinaldo Júnior, o perigo mora no que não se vê a olho nu.

 

 

“Toda atenção com a saúde nesse período de alagamentos é importante para evitar, por exemplo, a leptospirose, transmitida pela urina de ratos presente em água suja. A doença causa febre, dor no corpo, dor de cabeça, vômitos e, em casos graves, pode afetar rins e fígado. O tratamento é feito com antibióticos prescritos por médico e, nos casos graves, é necessária internação”, explica o especialista.

 

Fique atento aos sintomas: saiba identificar as doenças do período

O cenário de umidade e água parada favorece uma série de outras enfermidades. O Dr. Rinaldo Júnior destaca os principais sinais que a população deve observar:

  • Doenças Diarreicas: Causadas pelo consumo de água ou alimentos contaminados. Os sintomas incluem diarreia, vômitos e desidratação. O tratamento baseia-se na reidratação (soro caseiro ou de farmácia) e alimentação leve.
  • Hepatite A: Transmitida via fecal-oral (água/alimentos). Provoca cansaço, náuseas e o amarelamento da pele e olhos (icterícia). A vacinação é a melhor prevenção.
  • Dengue, Zika e Chikungunya: Com o acúmulo de água limpa e parada após as chuvas, o mosquito Aedes aegypti se prolifera. Causa dor atrás dos olhos, manchas vermelhas e febre. Atenção: Nunca se automedique, pois alguns remédios podem agravar quadros hemorrágicos.
  • Infecções de pele e micoses: O contato prolongado com a água suja gera feridas, coceira e vermelhidão.
  • Problemas respiratórios: O frio e a umidade do “inverno” favorecem gripes, bronquites e pneumonias, manifestadas por tosse e falta de ar.

 

 

Prevenção: como proteger sua casa e sua família

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) orienta medidas práticas para minimizar os riscos de contaminação, mesmo em áreas onde a água invadiu as residências:

  • Evite o contato direto: Se precisar entrar na água, utilize botas e luvas de borracha (ou sacos plásticos duplos amarrados).
  • Cuidado com o que bebe: Consuma apenas água tratada, filtrada ou fervida.
  • Higiene rigorosa: Lave bem os alimentos e mantenha a casa o mais arejada possível para evitar o mofo.
  • Elimine focos: Após o recuo da água, verifique se não ficaram recipientes que possam acumular água e servir de criadouro para mosquitos.

 

 

Onde buscar ajuda?

A rede pública do Amapá está mobilizada para o atendimento. Em casos de sintomas leves, a orientação é procurar primeiro uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

 

Para casos de urgência, agravamento dos sintomas ou emergências, as portas do Estado seguem abertas e preparadas em unidades como:

  • Pronto Atendimento Infantil (PAI) e Hospital da Criança e Adolescente (HCA);
  • Hospital de Emergência (HE);
  • UPAs das zonas Norte e Sul;
  • Hospitais Estaduais de Santana, Laranjal do Jari, Porto Grande e Oiapoque.

 

Um exemplo da eficácia do atendimento rápido ocorreu recentemente no PAI, onde uma criança diagnosticada com dengue foi prontamente estabilizada e já recebeu alta.

 

“O atendimento rápido pode evitar complicações graves. Se você ou algum familiar apresentar febre persistente, vômitos frequentes ou falta de ar, não espere: procure a unidade de saúde mais próxima”, orienta o epidemiologista.

 


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