Hospital de Santana utiliza redes para descanso de crianças internadas
Iniciativa desenvolvida pela equipe multiprofissional da unidade torna a internação infantil mais acolhedora, respeita hábitos regionais e contribui para o bem-estar dos pacientes e familiares

A adoção de redes para acolher crianças internadas nas salas vermelha e amarela pediátricas do Hospital Estadual de Santana (HES) tem transformado a experiência de pacientes e familiares durante o tratamento. A iniciativa, desenvolvida pela equipe multiprofissional da unidade, busca tornar a internação menos traumática e mais próxima da realidade vivida pelas famílias amapaenses.
Mais do que uma alternativa para o descanso, o recurso passou a integrar a assistência prestada às crianças, principalmente aos bebês e pacientes com condições neurológicas, que já possuem o hábito de dormir em rede em casa. O uso, no entanto, não é indicado para todos os pacientes, sendo adotado apenas nos casos em que há necessidade e benefício para a criança, conforme avaliação da equipe.
Na busca por um atendimento mais humanizado, profissionais das salas vermelha e amarela pediátricas desenvolveram um armador de rede portátil e desmontável, capaz de atender às necessidades do ambiente hospitalar sem comprometer a dinâmica dos atendimentos de urgência e emergência.
Coordenadora das salas vermelha e amarela pediátricas do HES, a médica Carla Carvalho explica que a ideia surgiu a partir das demandas observadas no dia a dia da unidade, que recebe crianças de diferentes municípios do estado.
“Trabalhamos com pediatria e vivemos na Região Norte, onde muitas crianças estão acostumadas a dormir em rede. Percebemos que alguns pacientes ficavam muito agitados ao serem colocados em macas, o que dificultava a adaptação ao ambiente hospitalar. Pensamos em uma forma de acolhê-los de maneira mais eficaz, para que se sentissem seguros e confortáveis, como em casa”, destacou.
Segundo a médica, a equipe já utilizava soluções improvisadas para atender essa demanda, prendendo redes entre macas e berços. No entanto, a busca por uma alternativa segura e adequada levou ao desenvolvimento de um protótipo em parceria com profissionais da enfermagem.
Carla Carvalho destaca que, em alguns casos, o uso da rede pode até evitar intervenções medicamentosas para acalmar os pequenos pacientes.
“O bebê fica chorando e, se ele tem um problema respiratório, acaba se cansando ainda mais. Muitas vezes, a alternativa seria recorrer a uma medicação para ajudá-lo a se acalmar. Com a rede, conseguimos evitar esse processo, porque a criança se sente mais segura e adaptada ao ambiente”, acrescentou.
Além de proporcionar conforto, a iniciativa também respeita características culturais e hábitos regionais, sobretudo das famílias vindas do interior do estado, onde o uso da rede faz parte da rotina.
“Humanizar não é apenas dizer palavras bonitas ou oferecer carinho. É criar condições para que o tratamento seja menos traumático, respeitando a realidade e as necessidades das famílias. Nós somos povos da floresta e precisamos reconhecer essas particularidades para oferecer uma assistência segura e acolhedora”, enfatizou a coordenadora.
A médica destaca que a humanização do atendimento já fazia parte da rotina da equipe, que constantemente buscava alternativas para acolher os pacientes pediátricos. Segundo ela, o diferencial foi transformar adaptações improvisadas em uma solução segura e adequada ao ambiente hospitalar.
“Esse cuidado sempre existiu. A enfermagem sempre procurou maneiras de adaptar o ambiente para essas crianças. O que fizemos foi desenvolver uma solução mais efetiva, pensando na segurança, na higiene e no espaço necessário para os atendimentos de emergência”, explicou.
A equipe do Hospital Estadual de Santana investe em outras estratégias para tornar a internação menos traumática, como a exibição de filmes e a adaptação dos espaços pediátricos.
Além das redes, a equipe investe em outras estratégias para tornar a internação menos traumática, como a exibição de filmes e a adaptação dos espaços pediátricos. O objetivo é minimizar os impactos emocionais do tratamento e fortalecer o vínculo entre profissionais, pacientes e familiares.
A experiência tem mostrado que pequenas mudanças podem gerar grandes resultados. Ao unir acolhimento, sensibilidade e assistência qualificada, o Hospital Estadual de Santana reforça a humanização nos serviços de saúde e com a oferta de um cuidado cada vez mais próximo da realidade da população.
Deixe seu comentário
Publicidade


