Investimentos em mineração colocam novas jazidas do Amapá no radar do mercado
Secretário Mamede Barbosa detalha aportes em projetos de ouro e ferro e aponta potencial do estado para exploração de terras raras

Douglas Lima
Editor
O investimento de US$ 100 milhões anunciado pela Amapá Minerals para a mina de Pedra Branca do Amapari marcou a entrevista concedida pelo secretário estadual de mineração, Mamede Barbosa, nesta terça-feira, 4, ao programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9). Segundo ele, o aporte representa uma nova etapa da exploração de ouro no município, agora com mineração subterrânea, onde se concentra a maior parte do minério.
De acordo com o secretário, a empresa concluiu o processo de reativação da estrutura operacional e já mantém a produção de ouro. A nova fase prevê o aprofundamento da cava e a abertura de túneis para alcançar o principal filão do minério. “O primeiro ciclo da exploração aconteceu a céu aberto. Agora a empresa entra na cava para acessar a parte onde está a maior concentração de ouro. Esse investimento mostra que o projeto tem perspectiva de longo prazo”, afirmou.
Além de Pedra Branca do Amapari, Mamed destacou outros empreendimentos que avançam no estado. Em Porto Grande, uma nova mina de ferro já possui licença de instalação, e a expectativa do governo é receber os equipamentos até dezembro para iniciar as operações. Outro projeto envolve a antiga mina da Zamin, atualmente sob responsabilidade da DEV Mineração, que trabalha na recuperação da estrutura para retomar a produção e o transporte ferroviário.
Segundo o secretário, outra empresa já adquiriu 750 mil toneladas de minério de ferro da DEV e antecipou parte dos recursos necessários para viabilizar a retomada da atividade. Também chamou a atenção para o potencial mineral ainda pouco explorado no Amapá e citou estudos que identificam reservas de terras raras e minério de ferro em diferentes regiões do estado, além de pesquisas sobre a presença de minerais estratégicos nos rejeitos da mineração de ouro.
Ele avaliou que o Brasil precisa deixar de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima e investir no beneficiamento dos minerais antes da exportação: “Nós exportamos commodities e importamos produtos industrializados. Esse é um desafio nacional. Precisamos agregar valor ao que produzimos para gerar mais riqueza e empregos”, disse.
Outro tema abordado foi a legalização do garimpo. Mamede defendeu que a regularização da atividade gera arrecadação, emprego e reduz os impactos ambientais provocados pela exploração clandestina. Como exemplo, citou o garimpo de Vila Nova, que recebeu licença ambiental em outubro de 2024.
Segundo ele, cerca de trezentos trabalhadores passaram a atuar de forma regular, investiram em equipamentos e melhoraram a renda das famílias após a autorização para funcionamento. “O que está dentro da lei gera arrecadação, desenvolvimento e permite fiscalização. A atividade ilegal não traz receita para o estado e ainda causa danos ambientais”, afirmou.
Sobre a preservação ambiental, o secretário explicou que a legislação exige que toda atividade mineral apresente um plano de recuperação das áreas exploradas desde o início do projeto. Ele também destacou que tecnologias mais modernas reduzem o uso do mercúrio e permitem o reaproveitamento do produto em sistemas fechados, o que diminui os riscos de contaminação.
“A mineração precisa seguir critérios técnicos e ambientais. O problema não está apenas no material utilizado, mas na forma como ele é empregado. Quando a atividade acontece de maneira legal, existe controle, recuperação da área e fiscalização permanente”, concluiu.
Deixe seu comentário
Publicidade


