Cidades

MacapaPrev garante pagamento de aposentados após invasão e aponta queda drástica no fundo previdenciário

Nova gestão diz que sistema de folha é online e não foi comprometido; levantamento preliminar indica redução de mais de R$ 190 milhões no fundo da Previdência Municipal


 

Douglas Lima
Editor

 

O pagamento dos aposentados e pensionistas do município de Macapá está garantido, apesar da invasão registrada no prédio da instituição no último sábado, 14. A confirmação é da presidente da Macapá Previdência (MacapáPrev), Lucélia Quaresma. Ela falou no programa ‘LuizMeloEntrevista’, da Rádio Diário FM 90,9, nesta segunda-feira, 16.

 

 

Segundo a gestora, o caso já está sendo investigado pelas autoridades policiais e a orientação da nova administração é evitar especulações até a conclusão da perícia. “Assim que tomamos conhecimento, acionamos imediatamente todos os órgãos responsáveis para análise da situação. Tudo está sendo apurado pela polícia e preferimos aguardar os esclarecimentos oficiais para não fazer afirmações equivocadas”, afirmou Lucélia.

 

De acordo com a presidente, o prédio da MacapaPrev está temporariamente sem acesso ao sistema interno, após a ocorrência, mas a folha de pagamento não foi comprometida, pois funciona em plataforma online: “O sistema de folha é online. Isso nos permitiu garantir o pagamento dos aposentados e pensionistas. Estamos reabilitando a rede para que os trabalhos administrativos voltem ao normal”, explicou.

 

 

A invasão ao prédio ocorreu provavelmente durante a madrugada de sábado. Conforme relato da presidente, a equipe percebeu inicialmente problemas na rede de computadores e, ao verificar o local, identificou sinais de intervenção na estrutura de cabos e equipamentos. De acordo Lucélia, não houve arrombamento na entrada do prédio, o que também será analisado no curso da investigação. O caso está sob responsabilidade da Polícia Civil do Amapá.

 

O assessor especial do gabinete emergencial administrativo e financeiro da Prefeitura de Macapá, advogado Samuel Falavinha, ressaltou que qualquer informação sobre o episódio deve ser encaminhada às autoridades. “Quem vai esclarecer o que aconteceu é a polícia. Há um inquérito instaurado e a perícia já foi realizada. A prioridade da gestão neste momento é garantir que os aposentados e pensionistas não sejam prejudicados”, afirmou.

 

 

Durante a entrevista, a presidente da MacapaPrev também revelou que a nova gestão identificou uma redução significativa no fundo previdenciário do município. De acordo com os primeiros levantamentos, o fundo que, há seis anos, superava R$ 270 milhões, atualmente possui cerca de R$ 36 milhões. Falavinha acrescentou que a situação financeira do instituto é considerada preocupante e exige diagnóstico detalhado.

 

A folha mensal da MacapaPrev atende cerca de 1.530 aposentados e pensionistas, com despesas que ultrapassam R$ 12 milhões mensais, considerando custos gerais da instituição.

 

Apagão de informações

A nova gestão também enfrenta dificuldades para acessar dados administrativos da Previdência Municipal. Falavinha afirmou que a transição ocorreu de forma abrupta, após o afastamento do prefeito e a renúncia de integrantes da gestão anterior.

 

“Nós tivemos uma transição que aconteceu praticamente em 24 horas. Muitos servidores pediram exoneração e isso gerou um verdadeiro apagão administrativo. Ainda estamos levantando informações básicas sobre o funcionamento das pastas”, afirmou.

 

Auditorias internas já começaram a ser realizadas e a prefeitura pretende contratar também uma auditoria externa para analisar a situação financeira da administração municipal.

 

Preocupação entre aposentados

Lucélia relatou que muitos aposentados procuraram a MacapaPrev nos últimos dias demonstrando preocupação com a situação do instituto, e garantiu que é prioridade da gestão ampliar o atendimento e a transparência com os beneficiários, inclusive com a realização de reuniões e audiências públicas para apresentar a real situação do fundo previdenciário.

 

Recadastramento pendente

Outro problema identificado é o grande número de aposentados que ainda não fizeram o recadastramento obrigatório. Lucélia diz que mais de trezentos beneficiários ainda não atualizaram os dados, o que pode dificultar a organização da folha de pagamento e a atualização cadastral.

 

“Estamos levantando essas informações e entrando em contato com essas pessoas para regularizar a situação. Neste momento não haverá bloqueio de pagamento, porque ainda estamos analisando todos os dados”, finalizou.

 


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