Mercado imobiliário ganha força com expectativa de petróleo e chega a 922 corretores no Amapá
Diretor do Creci-AP aponta aumento do interesse de investidores, alerta para riscos de especulação e destaca necessidade de regularização dos imóveis

Douglas Lima
Editor
O mercado imobiliário do Amapá vive um momento de aquecimento, impulsionado pelo aumento dos investimentos e pela expectativa em torno da exploração de petróleo na Margem Equatorial Foz do Amazonas. A avaliação é do diretor-secretário do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Amapá (Creci-AP), Carlos Eduardo Gomes, que participou nesta quarta-feira, 19, do programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM-90.9).
Segundo ele, o anúncio sobre o petróleo despertou o interesse de investidores de fora do estado e já há novos empreendimentos previstos para Macapá. O movimento ocorre em um cenário de crescimento do próprio setor: o número de corretores registrados no Amapá chegou a 922, além de 76 imobiliárias inscritas no Conselho.
Carlos Eduardo explicou que o Creci atua na fiscalização e disciplina da atividade profissional e destacou que o exercício legal da profissão exige formação específica e registro no Conselho. O órgão foi instalado como 28ª Região, no Amapá, em janeiro de 2023.
Com a perspectiva de novos investimentos, o diretor também chamou atenção para o risco de especulação imobiliária. Ele explicou que o preço de um imóvel deve considerar fatores como localização, estrutura e valores efetivamente praticados pelo mercado, e não apenas uma expectativa de valorização.
Para discutir o tema, o Creci vai promover, em parceria com o sistema Confe-Creci, o Primeiro Fórum Amapaense de Avaliação Imobiliária, marcado para 25 de setembro. A proposta é orientar profissionais do setor e a sociedade sobre critérios para avaliação e formação de preços.
Outro ponto destacado na entrevista foi a necessidade de regularização dos imóveis. Carlos Eduardo alertou que o pagamento de IPTU ou a inscrição no município não significa, necessariamente, que a propriedade esteja regularizada. Para comprovar a propriedade, é necessário contar com escritura pública e registro no cartório de imóveis competente.
Também orientou proprietários a buscarem corretores especializados em regularização imobiliária e, quando necessário, assessoria jurídica na área. Segundo ele, a documentação adequada será cada vez mais importante diante da possibilidade de chegada de empresas ligadas à cadeia de exploração do petróleo.
O município de Oiapoque foi citado como uma área que exige atenção diante da possibilidade de crescimento acelerado. Para Carlos Eduardo, o planejamento urbano e a regularização fundiária são fundamentais para evitar ocupações desordenadas e problemas decorrentes da expansão econômica.
A força do setor também apareceu durante a Expofeira 2026. A movimentação no segmento imobiliário chegou a cerca de R$ 25 milhões em negócios compromissados até a sexta-feira do evento, de acordo com o diretor. O Creci-AP participou da programação com atuação institucional no Pavilhão Imobiliário.
Carlos Eduardo relatou ainda que houve procura por imóveis por investidores estrangeiros, incluindo franceses que adquiriram dois apartamentos durante a feira. Para ele, o cenário mostra o interesse crescente pelo mercado imobiliário amapaense.
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