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Morre Bira, um dos maiores jogadores que o futebol do Amapá produziu

Ele tinha 65 anos de idade e desde janeiro vinha lutando contra um câncer

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Paulo Silva

 

O Amapá perdeu nesta segunda-feira, 14 de setembro, uma de suas maiores expressões no futebol. Vítima de câncer no fígado, morreu Ubiratan Silva do Espírito Santo, o Bira, que em maio havia completado 65 anos de idade.

Bira era integrante de uma família que produziu cinco jogadores de futebol que chegaram a ser titulares no mesmo time, o Esporte Clube Macapá. Mas apenas ele e Aldo brilharam fora do Amapá. Aldo foi campeão brasileiro de 1984 e tricampeão carioca pelo Fluminense do Rio de Janeiro. Mas havia também Assis, Marcos Antônio e Haroldo Santos (falecido).

Bira começou sua carreira vitoriosa no futebol com a conquista do título de campeão do I Copão da Amazônia, em 1975, que teve como sede a cidade de Porto Velho, capital de Rondônia. No ano seguinte o artilheiro amapaense foi levado pelo Clube do Remo para substituir o atacante Alcino (já falecido), que havia sido negociado com o Grêmio de Porto Alegre. Antes teve uma passagem de dez meses pelo Paysandu, onde não obteve muitas chances de mostrar seu potencial de artilheiro.

No azulino paraense, Bira correspondeu à altura, se tornando uma peça importante na conquista de três títulos estaduais em 1977, 1978 (invicto) e 1979. Ele foi o artilheiro nos certames de 1978 e 1979, sendo que neste último marcou 32 vezes, maior artilharia em uma edição de Campeonato Paraense da história. É o quarto maior artilheiro da história do Clube do Remo com 132 gols marcados.

 

Cinco gols e passaporte para o Inter
Ao marcar cinco gols pelo Clube do Remo contra o Guarani de Campinas pelo Campeonato Brasileiro de 1978, Bira foi contratado pelo Internacional de Porto Alegre, onde, no ano de 1979, conquistou com a camisa do colorado gaúcho o título de tricampeão brasileiro invicto.  Foram 23 jogos, 16 vitórias, sete empates, 40 gols marcados e 13 sofridos. E absolutamente nenhuma derrota. Há 30 anos, o Inter conquistava, de forma invicta, o título de campeão brasileiro. Foi a única vez em que o campeonato, disputado desde 1971, teve um campeão que jamais foi derrotado.

Foi o terceiro e, até agora, último título brasileiro do Inter. Na decisão, o Colorado bateu o Vasco duas vezes. No Rio de Janeiro, o herói foi Chico Spina, reserva do time e autor dos dois gols na vitória por 2 a 0. No Beira-Rio, o Colorado confirmou o título com vitória por 2 a 1. Jair e Paulo Roberto Falcão fizeram os gols.

No último jogo, o time vermelho, treinado por Ênio Andrade, atuou com Benitez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão e Jair; Valdomiro, Bira e Mário Sérgio. Para lembrar a conquista, Falcão lançou o livro “O time que nunca perdeu”, em que ele resgata o título e ouve todos os personagens da façanha – exceto Adilson, morto em acidente de carro em 1980. Bira estava lá a ganhou um exemplar do livro.

Após defender o Inter por três temporadas, Bira foi negociado com o Atlético Mineiro, tendo sido campeão mineiro em 1982. Do Atlético, Bira virou um “cigano da bola” e em São Paulo jogou no Juventus e na Saltense, equipe de Salto que fazia sucesso na então Divisão Intermediária (hoje A2). Também vestiu as camisas do Novo Hamburgo-RS, Brasil-RS, Aimoré-RS, Central de Caruaru-PE, Náutico-PE e no Chivas Guadalajara, do México, onde também foi campeão.

Após encerrar a carreira, Bira chegou a ser treinador de alguns equipes amapaenses, entre elas o Ypiranga, e no Pará, mas não decolou na carreira e, antes de ficar doente, vinha atuando como comentarista esportivo em emissoras de rádio de Macapá.

 

Condolências, velório e sepultamento
Clubes pelos quais Bira passou emitiram notas de pesar assim que se confirmou a notícia de sua morte, casos do Clube do Remo, Internacional, Ypiranga Clube. O jornalista amapaense José Maria Trindade, que atua na imprensa do Pará, escreveu: “Gols e alegria, as marcas do Tremendão”. Tremendão era o apelido do Bira no futebol paraense, dado pelo jornalistas Jaime Bastos.

O corpo de Bira será velado até o final desta tarde no plenário da Assembleia Legislativa do Amapá, de onde será levado para sepultamento no bairro do Buritizal.

 
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