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Município de Amapá realiza extensa programação em homenagem ao Dia de Cabralzinho

Ponto alto, neste domingo, 15, terá participação do Exército Brasileiro


Gabriel Penha

Especial para o Portal Diário

Reportagem e Fotos

 

O Município de Amapá, a cerca de 300 quilômetros de Macapá, realiza uma grande programação para celebrar os 127 anos do feito de Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzinho. Neste sábado, 14, está marcada uma missa de ação de graças na capela do Divino Espírito Santo, à tarde, e shows artísticos pela parte da noite.

Mas o ponto alto é no domingo, 15. Pela programação, haverá alvorada festiva, desfile militar do Exército Brasileiro, através da 22ª Brigada Foz do Amazonas e 34º Batalhão de Infantaria de Selva (34º BIS); o Município também ganha um memorial em homenagem às cercas de 38 pessoas que morreram no chamado “Massacre da Vila do Espírito Santo de Amapá”, ocorrido no período do litígio entre Brasil e França, pela chamada região do Contestado.

“Preparamos uma grande programação, para celebrar o feito de Cabralzinho e seus bravos. Um capítulo singular da história do Amapá, que é lembrado por nós com respeito e dedicação”, diz o prefeito de Amapá, Carlos Sampaio (UB).

No século 19, uma extensa região de 350 mil Km² do Amapá – de Oiapoque até a região de Ferreira Gomes – era reivindicada pela Coroa Francesa. A chamada região do Contestado, era disputada pela posição estratégica à beira do Oceano Atlântico e por suas riquezas naturais, mas também pelo projeto francês de expandir seu território no chamado “Novo Mundo”.

No meio dessa disputa, em 1886 foi fundada a República do Cunani, que teve até moeda própria. Mas, não durou muito, pois não foi reconhecida nem pela Coroa Francesa nem pelo Império Brasileiro. Mas uma data importante – e decisiva – nesse contexto é o dia 15 de maio de 1895. O capitão Lunier, sob ordens do governador de Caiena, comanda uma invasão à Vila de Amapá, com cerca de 80 homens, deixando um saldo de dezenas de mortes do lado brasileiro. A reação brasileira veio com Cabralzinho, que matou o oficial francês e forçou a fuga das tropas estrangeiras.

Na disputa, morrem seis militares franceses e 38 brasileiros, inclusive civis, no episódio ficou conhecido como o “massacre de Amapá”. No dia 1º de dezembro de 1900, com o trabalho do diplomata José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, enfim o litígio é resolvido através do Laudo Suíço, que referendou o Brasil como dono das terras.

“O 15 de maio é uma data icônica para o Estado. Cabralzinho é uma representação heroica, no sentido de pensar o Amapá como terra brasileira. Esse feito é algo que precisamos sempre resgatar e reverencia”, diz o escritor e doutor em Sociologia, Fernando Canto, que está no Município para prestigiar a programação.

 

“Herói, terra de herói”

O feito de Cabralzinho, exaltado no Hino de Amapá no verso “Herói, terra de herói” ganha reconhecimento em todo o Estado, tanto que foi reconhecido como general do Exército Brasileiro e atualmente nomeia o 34º Batalhão de Infantaria de Selva (34º BIS), em Macapá. O dia 15 de maio é feriado estadual desde o ano de 2017, em lei aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Waldez Góes.

Mar o grande reconhecimento veio no dia 23 de setembro de 2021, mais de 120 anos após o Laudo Suíço. Nesta data, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei do Senado (PLS) 707/2015, que inclui o nome de Francisco Xavier da Veiga Cabral, o general Cabralzinho, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

A proposta foi apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e recebeu voto favorável, com duas emendas de redação, do relator, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES). Ao justificar o projeto, Randolfe destacou o papel decisivo de Veiga Cabral na disputa entre Brasil e França por grande parte do território do Amapá, na batalha travada no final do século 19. Segundo o senador, o homenageado foi um dos líderes do lado brasileiro, “portando-se com resolução e heroísmo na contenda”.

O reator, Fabiano Contarato, também avaliou como “justa e relevante” a inscrição do nome de Veiga Cabral no Livro dos Heróis da Pátria. “Cabralzinho soube defender a causa nacional com destemor e bravura, enfrentando forças militarmente superiores para afirmar que aquela terra do Alto Norte era brasileira. Pouco depois, em 1905, vem a falecer relativamente esquecido, com apenas 44 anos”, afirmou.

Os nomes inscritos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria são de personalidades associadas a um feito heroico nacional. É também chamado de “Livro de Aço”, por ter as laudas de metal, e fica guardado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.


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