O adeus a Papaléo Paes: comoção e homenagens marcam despedida do médico e político amapaense
Com direito a uma histórica transmissão pela rádio Diário (90,9FM), sociedade amapaense se despediu de forma tocante do médico e político Papaléo Paes.

Cleber Barbosa e Elden Carlos
Da Redação
Como o som de um coração batendo acelerado, palmas sincronizadas e choro coletivo quebraram o silêncio na despedida do médico cardiologista e político João Bosco Papaléo Paes, de 67 anos, que morreu na noite de quinta-feira (25) na UTI do São Camilo, em Macapá, vítima da Covid-19.
O corpo foi levado para uma funerária no bairro Santa Rita, zona sul da capital, de onde o cortejo saiu às 8h30 da manhã em direção ao hangar do governo do Estado, onde a urna funerária seria embarcada em uma aeronave com destino a Belém (PA), para sepultamento.
O translado foi transmitindo ao vivo pela Rádio Diário (90,9FM) durante o programa LuizMeloEntrevista, e pelas redes sociais do Sistema Diário de Comunicação, onde centenas de ouvintes e internautas se manifestaram emocionados na despedida.
O caminhão do Corpo de Bombeiros, utilizado em cerimônias envolvendo chefes de Estado e outras autoridades e personalidades relevantes, chegou a ser posicionado, mas, devido aos protocolos de segurança sanitária, a urna não foi levada em carro aberto.
O funeral do homem que ocupou o cargo de prefeito da capital, senador e vice-governador do Amapá, foi marcado também por inúmeras homenagens durante o translado. Das mais formais, como notas, coroas de flores e pronunciamentos de autoridades, a outras bem mais simples e emocionadas, como pessoas do povo, ex-pacientes e anônimos. Cada um com um gesto particular de render sua homenagem, mas, de forma coletiva, todos erguendo os braços em sinal de gratidão. Orações solitárias ou em grupo ditaram o ritmo do cortejo.
As homenagens feitas por colegas de profissão iniciaram em frente ao Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), na Avenida FAB, seguindo com paradas em frente à Maternidade Mãe Luzia, Hospital de Clínicas Alberto Lima – onde Papaléo dedicou boa parte de sua vida médica – Secretária de Estado da Saúde, Prefeitura de Macapá, Ministério Público, Palácio do Setentrião [sede do governo estadual] e Tribunal de Justiça do Amapá.
Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares e trabalhadores dos setores de limpeza, copa e cozinha, uniformizados e segurando balões brancos, rezaram e se emocionaram com a despedida.
Na Prefeitura de Macapá, servidores e gestores posicionaram-se respeitosamente para as despedidas do ex-prefeito da cidade.
“Papaléo era um grande amigo, lembro de um encontro, em 2018, na entrega da Comenda Janary Nunes, na homenagem que fizemos aos ex prefeitos, quando ele esteve presente, sempre sorridente, alegre e sereno. Homem simples, do povo, deixará enormes saudades e grandes ensinamentos para todos nós”, disse o prefeito Clécio Luis.
O médico Uilton Tavares, amigo pessoal que se tornou porta-voz da família durante a internação de Papaléo, disse que falar do amigo remete a coisas boas.
“Tenho apenas boas lembranças dele, como sua primeira campanha a prefeito, sem muito dinheiro e um convívio diário em sua casa, uma pessoa sempre alegre, do bem e que congregou muito político em seu entorno. Se vai a matéria, mas fica o legado”, relatou.
Também, foram as lembranças da política que chamaram a atenção na fala do atual vice-governador, Jaime Nunes, que lembrou até a marca do carro antigo com que Papaléo fazia campanha.
“Ele chegou com a sua Belina simples para pedir o voto do meu pai, que sempre demonstrou muito respeito e confiança no doutor Papaléo. Homem integro e de um coração enorme, foi um estadista e grande humanitário”, recorda.
Diversas autoridades e personalidades da vida pública amapaense, do meio empresarial e da saúde, revezaram-se em depoimentos, homenagens e publicação de notas de pesar pelo falecimento de Papaléo Paes. Os três senadores da bancada do Amapá compareceram ao funeral. O governador Waldez Góes, outros chefes de Poder e o ex presidente da República, José Sarney, manifestaram-se também por meio de notas de pesar e condolências à família.
Por volta de 9h15 o cortejo chegou ao hangar do governo. Lá, em cerimônia mais reservada, familiares e amigos próximos renderam suas últimas homenagens.
“É uma sensação de sentimentos. O doutor Papaléo sempre viajou ao nosso lado nessa aeronave. Hoje, o levo para fazer seu último voo. É um sentimento de honra, tristeza, mas também, de gratidão. Ele cuidou a minha mãe e sempre que me encontrava perguntava por ela. Ele queria saber detalhes sobre a saúde e sempre deixava uma porta aberta, caso precisasse de atendimento. Um ser humano fantástico e de um coração muito generoso. Acabou se tornando um grande amigo. Hoje, o estou levando para descansar em sua última morada”, disse emocionado o comandante Vitor.
A aeronave Seneca IV decolou da pista do Aeroporto Internacional de Macapá às 9h43 com previsão de voo de 1h20. Em Belém, seria levado para o jazigo da família onde seria sepultado ao lado da mãe e de um irmão.
O Adeus ao Dr Papaléo Paes
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