Paciente de Manaus que veio intubada não poderia ser transportada, diz SVS/AP
Das três pessoas que vieram transportadas de Manaus (AM) para Macapá (AP), através de UTI aérea particular, duas já faleceram.

Railana Pantoja
Da Redação
Na tarde deste sábado (30), a Superintendência de Vigilância em Saúde do Amapá (SVS/AP) e a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) fizeram uma coletiva de imprensa para esclarecer o caso das pacientes que vieram de Manaus (AM) para Macapá (AP), via UTI aérea particular, sem autorização sanitária. Segundo a SVS, o transporte foi totalmente contrário à orientação do Ministério da Saúde e cheio de negligências por parte do hospital que coordenou a ação.
“Uma das pacientes, de 84 anos, veio intubada. O que não é, inclusive, permitido pela regulação. A orientação que se tem dos órgãos é que não sejam transportados pacientes com coronavírus em estado grave, então, essa foi uma constatação importante também. Infelizmente só soubemos da situação através de denúncia, agora atuamos para tomar as medidas cabíveis”, disse Dorinaldo malafaia, superintendente da SVS/AP.
De acordo com o secretário de saúde, Juan Mendes, são três casos: a primeira paciente chegou no dia 18 de janeiro e estava há 12 dias com evolução, vindo a falecer no dia 21; a segunda transportada tinha dois dias de evolução e deu entrada no dia 20, mas faleceu no dia 28; a terceira paciente continua recebendo atendimento e chegou no dia 23 de janeiro.
“Inclusive, dessa terceira paciente foi coletado RT-PCR pela equipe da SVS sem que soubéssemos a situação, então, esse é outro parâmetro de gravidade. A coleta desses pacientes, em que as amostras precisam ser estudadas e feito o sequenciamento genético para identificar possível cepa mais agressiva, foi iniciada pela nossa equipe, e não pela instituição que trouxe os pacientes. Quero deixar claro que nenhum deles teve a genotipagem viral, dentro de algumas cepas conhecidas nacionalmente, como a p.1 de Manaus”, esclareceu o secretário.
Mesmo assim, os profissionais de saúde que tiveram contato com esses casos passarão por exame do tipo RT-PCR e as amostras serão analisadas pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), que fará o sequenciamento genético e então confirmará se existe, ou não, a cepa de Manaus circulando no Amapá.
“Vamos redobrar toda a vigilância, desde os órgãos competentes, como a Anvisa, que controla entrada e saída nos portos e aeroportos; a Infraero, que precisa notificar a entrada e procedência de aeronaves; e as secretarias estaduais de saúde, que precisam informar qualquer saída de aeronaves para outros estados. Tem uma nota da Secretaria de Saúde de Manaus dizendo que também não sabia dessas três saídas. Os hospitais sabem dos fluxos e que precisam cumprir a lei, no entanto, o que houve foi a quebra da regulação sanitária”, finalizou Dorinaldo Malafaia.
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