Cidades

Período de transmissibilidade e imunidade de rebanho: epidemiologista da SVS/AP explica termos

Doutor em Engenharia Biomédica e enfermeiro por formação, Patrício Almeida também fala sobre a imunidade nata das crianças, fator importante que faz esse público ser menos atingido com a forma grave da Covid-19.


Railana Pantoja
Da Redação

 

Você já deve ter ouvido durante esse momento de pandemia alguns termos antes nem tão comuns na nossa rotina, como “imunidade de rebanho” e “período de transmissibilidade”. Mas, você sabe o significado deles? O epidemiologista da SVS/AP e doutor em Engenharia Biomédica, enfermeiro Patrício Almeida, explicou na manhã desta terça-feira (12) esses termos técnicos usados pela área da saúde.

 

Período de transmissibilidade

 

“Imagine que uma vez que você tem contato com o vírus, você entra no período chamado de multiplicação viral. E a expressão da doença vai acontecer exatamente quando a quantidade de vírus for tão grande, que ela quebra essa relação de equilíbrio. Quando a gente fala do coronavírus em especial, tem um relação direta para com o hospedeiro, assim como qualquer outra doença, do ponto de vista respiratório”, explicou.

 

Mesmo sem apresentar sintomas, a pessoa já pode ser hospedeira da doença e transmitir. “Existe uma probabilidade muito grande de que 85% das pessoas sejam assintomáticas, ou seja, são portadores assintomáticos que não desenvolvem a doença, mas transmitem esta. A transmissão da doença também pode estar associada à presença de sinais dos sintomas e ela é muito variável, o período de encubação do vírus pode variar de 1,5 até 14 dias, por isso a gente tem destacado a importância do tratamento precoce”, complementou Patrício.

 

Imunidade nata

 

Comparando ao número de adultos infectados, são poucos os casos em que as crianças são contaminadas e apresentam agravamento da Covid-19. “Elas têm a chamada imunidade nata potencializada, é aquela imunidade específica e imediata, comum na primeira infância, e elas não têm o sistema imune totalmente maturado ainda. Especialmente na primeira infância elas estão no processo ainda de aperfeiçoamento. Resultado: os quadros mais graves da doença tendem a não se expressar nas crianças”, falou.

 

Mesmo assim, o epidemiologista reforça que as crianças não podem deixar de ser uma preocupação. “É importante não banalizar o problema e lembrar que as crianças são transmissoras também, ou seja, podem transmitir a doença para seus pais. A gente tem percebido na nossa realidade da capital Macapá, devido ao não cumprimento das medidas de restrição social, que a pandemia que seguiria um percurso comunitário, seguiu um caminho muito mais de ordem intrafamiliar, infelizmente”, pontuou.

 

Imunidade de rebanho

 

“Existe o que a gente chama de incremento de casos de ordem exponencial, principalmente em doenças respiratórias. Naturalmente, o que acontece: semanalmente temos um aumento do números de casos, né? Acaba duplicando ou quadriplicando a cada duas semanas. A população uma vez exposta ao agente infectante, no caso o vírus, irá transmitir de uma forma exponencial, a gente chama de fator de reprodução. No coronavírus, os estudo mostram que essa fator é de 2,8 até 3,5. Significa que cada indivíduo infectado pode transmitir imediatamente para 2,8 a 3,5 pessoas”, finalizou Patrício.

 

Assim, pela lógica, se grande parte da população for infectada pelo vírus, a imunidade será adquirida por muitos ao mesmo tempo. Mas, essa medida é considerada polêmica por expor humanos ao risco em vez de resguardá-los, e é debatida diariamente por diversos estudiosos e organizações de saúde no mundo todo.


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