“Petrobras tem toda condição para explorar a Margem Equatorial com segurança”, diz especialista
Transição energética pode avançar junto com exploração de petróleo, defende Jaqueline Mariano. O Brasil é referência mundial em biocombustíveis e defende segurança energética, com preservação ambiental

Cleber Barbosa
Da Redação
Diário do Amapá – O Brasil consegue avançar na transição energética sem abrir mão da exploração de petróleo?
Jaqueline Mariano – Sim. O Brasil já é referência mundial nesse processo por meio de programas como o Proálcool e o Programa Nacional de Biodiesel. O país foi pioneiro na adoção dos chamados combustíveis “drop-in”, como etanol e biodiesel, que podem ser misturados aos combustíveis fósseis sem necessidade de alterações na infraestrutura ou nos motores.
Diário – O país está acompanhando o ritmo que o mundo exige nessa transição?
Jaqueline – O Brasil está muito bem posicionado. Em 2024, cerca de metade da oferta interna de energia já veio de fontes renováveis, um índice que é referência internacional. Além disso, o principal desafio brasileiro nas emissões de gases de efeito estufa não está no setor de energia, mas no desmatamento e na mudança do uso da terra.
Diário – O gás natural pode ser um aliado importante nesse processo?
Jaqueline – Sem dúvida. O gás natural é um combustível de transição menos intensivo em carbono e pode levar energia a regiões distantes, especialmente na Amazônia. Modelos como o da Eneva, no Maranhão, mostram que é possível produzir gás e convertê-lo diretamente em energia elétrica, reduzindo perdas e emissões. Sim. O Brasil reduziu drasticamente a queima de gás nos campos de produção graças ao avanço tecnológico e às regras estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Hoje, a maior parte do gás é reinjetada nos reservatórios ou aproveitada, tornando a operação muito mais eficiente e sustentável.
Diário – O país ainda precisa ampliar sua capacidade de refino?
Jaqueline – Precisa. Hoje o Brasil ainda importa derivados como diesel, gasolina e GLP, mesmo sendo grande produtor de petróleo. Investir em refinarias fortalece a segurança energética, gera empregos, aumenta a arrecadação e agrega valor ao petróleo produzido no país.
Diário – A exploração da Margem Equatorial pode ocorrer de forma ambientalmente responsável?
Jaqueline – Acredito que sim. A indústria evoluiu muito nas últimas décadas e hoje trabalha com tecnologias avançadas e rigorosos controles ambientais. A Petrobras, por exemplo, é referência mundial em exploração em águas profundas e tem capacidade técnica para conduzir esse processo com segurança.
Diário – E Qual é o principal desafio para equilibrar desenvolvimento e preservação ambiental?
Jaqueline – O desafio é fazer com que o desenvolvimento econômico caminhe junto com investimentos em infraestrutura, saneamento, recuperação de áreas degradadas e soluções baseadas na natureza. O petróleo pode ser um importante financiador desse processo, desde que os recursos sejam bem administrados e revertidos em benefícios para a sociedade.
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