Cidades

Presidente da Associação Brasileira de Startups projeta Amapá no cenário global

Macapá se consolida como polo de inovação com mais de 220 startups ativas e presença internacional de empreendedores locais


 

O Amapá deixou de ser apenas consumidor de tecnologia para se tornar produtor e exportador de inovação. Esse foi o tom da entrevista concedida por Lindomar Mendonça Ferreira, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), ao programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9), nesss quarta-feira, 28.

 

Tucuju ‘da gema’, Lindomar construiu uma trajetória que começou de forma quase artesanal, há cerca de 15 anos, quando ainda se usava disquetes para transportar sistemas de uma escola para outra, em um tempo sem internet e antes mesmo do pen-drive. Hoje, sua história é destaque nacional, inclusive em reportagem da Revista Exame, que retrata o percurso de quem saiu da Amazônia para liderar um dos principais ecossistemas de inovação do país.

 

À frente da Proesc, startup amapaense especializada em gestão escolar, Lindomar comemora resultados que superaram qualquer expectativa inicial. A empresa conta atualmente com 140 colaboradores, faturou R$ 20 milhões no último ano e atende mais de dois milhões de alunos em todo o Brasil e em oito países. O sistema é considerado um dos mais completos do país, oferecendo matrícula on-line, aplicativos para professores, alunos e responsáveis, além de acompanhamento pedagógico em tempo real.

 

 

A tecnologia desenvolvida no Amapá já está presente em quase quatrocentas escolas da rede estadual, além de redes municipais como Macapá e Santana, e em estados como Pará e Rio de Janeiro, com destaque para Niterói (RJ). No próprio Amapá, cerca de 90% das escolas públicas e privadas utilizam o Proesc, consolidando a solução como referência nacional.

 

Durante a entrevista, Lindomar destacou que o sucesso não é um caso isolado. O estado já conta com 220 startups ativas, muitas delas líderes em seus segmentos. Entre os exemplos citados estão a OrçaFascio, referência nacional em gestão de obras; a Tributei, especializada em tributos; e a Sinador, que protagonizou o primeiro exit do Amapá, ao ser vendida por cerca de R$ 5 milhões, marco histórico para o ecossistema local.

 

Outro destaque é a Ingênio, startup de bioeconomia fundada por Dona Valda, que transformou o caroço do açaí em café, cápsulas e outros produtos. Criada durante a pandemia, após um período de desemprego, a iniciativa ganhou força com apoio do Sebrae e da comunidade Tucuju Valley, e hoje leva o açaí amapaense a mercados internacionais, como Dubai.

 

 

Segundo Lindomar, o Amapá vive um momento estratégico de consolidação da inovação, com investimentos estruturantes em andamento. Um deles é o Parque Tecnológico, em fase avançada de obras, no espaço do antigo Novo Hotel, com previsão de inauguração ainda no primeiro semestre. O local contará com laboratórios, hubs de inovação e startups, atraindo inclusive empresas do estado do Amazonas.

 

Além disso, Macapá já inaugurou seu hub municipal de inovação, enquanto Santana avança no projeto da chamada “cidade das startups”, com foco em bioeconomia e economia digital, próximo ao Rio Matapi.

 

Na avaliação do presidente da ABStartups, o futuro do Amapá passa por duas grandes verticais: economia verde — que inclui bioeconomia, biotecnologia, energias e combustíveis renováveis — e economia digital, considerada hoje a mais forte do mundo. Ele também defendeu que eventuais receitas futuras provenientes do petróleo e do gás sejam direcionadas à criação de um fundo soberano, voltado ao financiamento de inovação e ao fortalecimento de um estado menos dependente do setor público.

 

“Já começamos essa mudança, mas precisamos intensificar. Inovação é o caminho para garantir desenvolvimento sustentável no longo prazo”, afirmou.

 

Ao fim da entrevista, Lindomar anunciou que segue ampliando a presença internacional, com participação confirmada como palestrante em um fórum internacional de startups, na Espanha, levando o nome do Amapá para além das fronteiras brasileiras.

 

 


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