Presidente do CRM diz que falta de médicos é um problema crônico muito antigo
Médico Eduardo Monteiro diz em entrevista no rádio que essa não é uma exclusividade do Amapá e rechaça críticas de que os profissionais no mercado ganham muito.

Cleber Barbosa
Da Redação
O médico Eduardo Monteiro, que preside o Conselho Regional de Medicina (CRM), disse em entrevista ao programa LuizMeloEntrevista desta quarta-feira (06), na rádio Diário FM (90,9) que o problema da falta de médicos não é uma exclusividade do Amapá, mas um problema crônico e muito antigo para da realidade em todo o país.
Ele disse que os médicos recém-formados no Amapá, que ainda permanecem no estado, já estão desempenhando suas funções no combate à pandemia, contratados pelo governo ou as prefeituras. Os demais, estão fazendo a chamada residência médica ou estágios em outros centros do país.
Para justificar ou tentar explicar a falta de profissionais no mercado, o dirigente do CRM aponta a baixa remuneração ofertada, cujo salário básico para uma carga horária de 20 horas semanais é de R$ 7,6 mil no estado e na prefeitura o máximo que conseguem chegar alguns profissionais dependendo da especialidade é de R$ 5,5 mil. “Dizer que médico ganha muito bem não é verdade, pois além da carga horária o médico realiza os plantões, que são serviços extras que o profissional tem que ser remunerado por isso”, defenda.
Eduardo Monteiro diz que diuturnamente é preciso ter médicos plantonistas, principalmente médicos especialistas, que em muitos casos fazem plantões presenciais ou de sobreaviso. “Sábado e domingo é plantão, feriado é plantão, então isso acaba agregando ao que o médico recebe e acaba chegando a um valor que as pessoas acham que é muito, mas o médico trabalha muito também, ele não tem feriado, não tem dia de Natal, Ano-Novo, enfim, todos esses dias tem que haver uma equipe médica para atender nos hospitais, que não fecham”, pondera.
O próprio presidente do CRM diz que atua no serviço público e na iniciativa privada. Eduardo Monteiro lembra ainda que para o enfrentamento da pandemia, houve um aumento significativo da demanda, citando como parâmetro a maior oferta de leitos de UTI. Para cada dez leitos de UTI é necessária uma equipe médica completa – um médico e três enfermeiros – então para se formar uma escala para manter 30 leitos são necessários seis médicos por dia e 15 técnicos.
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