Primeiro dia de reabertura gradual do comércio não tem registro de aglomerações em Macapá
Diferente do que muita gente previu, não foram identificadas aglomerações em locais como, lojas de material de construção, que são as primeiras a reabrir as portas para atendimento presencial.

Elden Carlos
Editor
Após 87 dias fechado, por meio de decretos, o comércio amapaense começou a ser reaberto gradualmente nesta terça-feira (16). Diferente do que muita gente previu, não foram identificadas aglomerações em locais como, lojas de material de construção, que são as primeiras a reabrir as portas para atendimento presencial.
O fluxo de pessoas foi controlado na entrada, obedecendo o distanciamento. Foi cobrado o uso de máscara e oferecido álcool gel, além da aferição de temperatura dos clientes. Tudo dentro de um padrão técnico na maior parte das empresas.
Porém, de fato, o que se viu, foi uma população com muitas dúvidas sobre o que pode e o que não pode funcionar. As autoridades classificam essa reabertura como um ‘balão de ensaio’, ou seja, serve para verificar, de antemão, os efeitos práticos das medidas adotadas.
O trabalhador autônomo Antônio Carlos, de 44 anos, por exemplo, se disse confiante de que a reabertura vai beneficiar milhares de famílias que vinham passando sérias necessidades financeiras, já que os chefes de família estavam impedidos de trabalhar.
“Tivemos que fazer malabarismo – se bem que nem isso se pode mais fazer nos cruzamentos – para tentar garantir pelo menos a refeição do dia. Penso que essa reabertura é positiva. Claro, todos devemos atentar para os cuidados com a higiene. Vejo assim: se dez pessoas vem ao centro, e não se cuidam, elas vão voltar para casa e infectar suas famílias. Mas, se dez pessoas vem ao centro, tomam todas as medidas de segurança e voltam para casa e se higienizam, elas eliminam o risco do contágio. Temos que ser sensatos e saber que não é o comércio que vai infectar alguém, são as próprias pessoas. Tudo é uma questão de mudança de hábito”, afirma.
Já o vigilante patrimonial Eduardo Santos Trindade, de 42 anos, é contrário à reabertura do comércio, mesmo que de forma gradual. Para ele, a medida é prematura e pode acarretar sérias complicações futuras, inclusive, com uma segunda onda ainda mais destrutiva.
“Não sou médico ou especialista para falar tecnicamente, mas todos sabemos que a pandemia está evidente. O tal ‘achatamento da curva’ ainda nem começou e já vamos abrir o comércio? Ora, as autoridades precisam entender que nos primeiros dias as lojas e pessoas até podem fazer de conta que vão seguir as regras, mas, logo haverá o relaxamento de tudo isso e o contágio será ainda pior. Se com todas as medidas restritivas tomadas no início da pandemia nós tivemos mais de 300 mortos e pelo menos 17 mil infectados (oficialmente), o que vai ser se escancaramos as portas de tudo?”, questiona.
Grandes lojas e microempreendedores individuais também tiveram que se adaptar ao ‘novo normal’ durante a pandemia. Trabalhadores como José Alves de Aquino, de 44 anos, ‘Maradona’, que é um dos 112 trabalhadores que dividem espaço formalmente no camelódromo da Avenida Antônio Coelho de Carvalho, no Centro, precisaram se reinventar.
“Antes era no corpo a corpo, no negocia aqui, no toma lá da cá, tudo dá negócio, entendeu? Hoje vivermos, de fato, um novo tempo. Tivemos que passar a levar a mercadoria até o cliente, ou aguardar por ele de portas fechadas e com horários programados. Foi assim que sobrevivemos a esses 87 dias de fechamento. Depois, utilizamos a tecnologia. Passamos a fazer das redes sociais nosso aliado. Hoje, na reabertura gradual do comércio, estamos celebrando as vendas, seja no modo delivery, drive thru ou expresso. Estamos nos organizando para instalar os lavabos, ofertar álcool em gel aos clientes, enfim, nos cercar de todas as medidas, afinal, uma hora vamos voltar pra casa e não queremos contaminar nossas famílias”, detalha.
Para o empresário Parral Lacerda, que atua no ramo da construção civil, o fechamento do comércio provocou uma reação em cadeia, desde a demissão de funcionário até mesmo o fechamento de algumas lojas.
“Para aqueles que mantiveram suas atividades, passando a atuar com a venda por meio de plataformas digitais ou com uso de recursos como o whatsapp, chegou um momento em que os estoques acabaram e comprar dos fornecedores ficou praticamente impossível. Com isso, as contas chegaram e não tínhamos como honrar os compromissos. Essa reabertura é determinante para retomada da economia, mas, também, não podemos esquecer de todas as condicionantes para que isso aconteça. Precisamos trabalhar com todas as ferramentas de segurança para impedir uma regressão e conseqüente fechamento das atividades novamente”, alertou.
Reportagem: Rodrigo Silva
Imagens: Joelson Palheta
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