Cidades

Professor destaca a força do amor no Dia dos Namorados, mas alerta sobre o racismo estrutural

Renan Almeida, pesquisador e ativista do movimento LGTB vai ao rádio e puxa reflexões preocupantes sobre a resistência – e fortalecimento – do racismo entre os brasileiros.


Cleber Barbosa
Da Redação

 

Renan Almeida, professor e ativista dos movimentos LGBT no Amapá, concedeu entrevista ao programa Café com Notícia, da rádio Diário FM (90,9) sobre o Dia dos Namorados, afirmando que o amor entre os casais – qualquer tipo de par romântico – pode ajudar muito para minimizar os efeitos da pandemia e os rigores do distanciamento social.

 

Ele também falou sobre temas bem mais graves, como o racismo estrutural.

 

“Isso nada mais é do que a naturalização da descriminalização das pessoas negras no Brasil, portanto se difere daquele mais óbvio, quando você aponta o dedo e xinga a pessoa usando termos da injúria racial, como macaco, negro fedido, um racismo clássico podemos dizer”, explica.

 

Já o racismo estrutural está impregnado em todo e qualquer lugar, um ser onipresente, está no estado e no seio da sociedade.

 

“Como quando um jovem negro é sufocado por um segurança de supermercado até a morte”, pondera.

 

Numa contextualização histórica, o especialista diz que o estado brasileiro existe há mais de 500 anos, quando o homem português chega aqui e toma as terras dos povos indígenas. Para ele, é a partir desse momento que começa o racismo, quando o colonizador europeu abusa sexualmente, utiliza da mão de obra escrava da população indígena, e quando viu que não tinha mais como manter ou sustentar esse regime escravocrata dos povos indígenas pega o povo negro e trafica por três meses nos porões das caravelas até o Brasil.

 

E passados tantos anos, uma conferidas nos números atuais do IBGE 70% da população amapaense se declara negra ou parda, mas se for observado por exemplo a representatividade política, os eleitos essa maioria não se vê representada, como também o maior índice de analfabetos do estado, superior a 50% entre a população negra, como também o aumento de 80% nos últimos 10 anos do número de assassinatos de mulheres e pessoas negras no Amapá.

 

“Isso tudo é reflexo do racismo estrutural que surgiu há 500 anos e não mudou nada esse tempo todo”, concluiu.


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