Cidades

Programa Lean nas Emergências é retomado e reduz em 42% número de pacientes internados no corredor do HE

Ferramenta de gestão reorganiza fluxos, amplia a rotatividade de leitos e reduz o tempo de permanência de pacientes na unidade


 

O Governo do Amapá retomou a implementação do programa Lean nas Emergências no Hospital de Emergência (HE), em Macapá, e já registra resultados na organização do fluxo hospitalar. A iniciativa, desenvolvida pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), com apoio do Hospital Sírio-Libanês, utiliza ferramentas de gestão para identificar gargalos e tornar mais ágil o atendimento aos pacientes.

 

O programa já havia sido implantado no HE em 2022, mas não avançou naquele momento. Na atual gestão, o projeto foi retomado com a criação de uma comissão de implementação que reúne profissionais do Núcleo Interno de Regulação (NIR), chefia médica, responsáveis técnicos, enfermagem, farmácia, laboratório e demais setores. A equipe também passou por capacitações para atuar como multiplicadora da metodologia dentro da unidade.

 

Na prática, o Lean permite acompanhar o tempo de atendimento desde a chegada do paciente até a alta médica. A partir dos indicadores, as equipes identificam os pontos que provocam atrasos e adotam estratégias para corrigir os gargalos. Entre as mudanças está a ampliação da avaliação médica nos horários de maior demanda e a reorganização do atendimento de pacientes classificados como casos de menor gravidade, evitando que ocupem desnecessariamente toda a estrutura destinada às urgências e emergências.

 

Os resultados já aparecem na rotina do hospital, com a redução de 42% no número de pacientes internados no corredor.

 

 

“Hoje, a média de internação no corredor é de 1,2 dia. Antes, o paciente podia terminar um ciclo de antibiótico internado no corredor, permanecendo cinco ou sete dias. Nós ampliamos a capacidade de rotatividade dos leitos e conseguimos fazer com que o paciente tenha uma transferência ou uma alta em tempo mais oportuno”, explica o enfermeiro Célio Monteiro.

 

Altas e transferências

Outra estratégia é a organização das altas hospitalares no início do dia. A meta estabelecida pela equipe é que os pacientes internados sejam avaliados pelos médicos diaristas até as 10h, permitindo que as altas e transferências ocorram mais cedo e que os leitos estejam disponíveis para receber novos pacientes no período de maior movimento.

 

“O Lean nos mostrou que não se trata somente de trazer mais servidores ou ampliar a estrutura. Temos excelentes profissionais e uma estrutura que ainda precisa de melhorias, mas também precisávamos rever o nosso método de trabalho. É uma ferramenta que nos ajuda a organizar o hospital para atender a população de forma mais rápida, resolutiva e eficiente”, destaca Célio.

 

A metodologia também fortalece a integração do HE com a Rede de Atenção à Saúde, permitindo analisar o perfil dos pacientes que chegam à unidade e discutir estratégias para que cada serviço receba a demanda adequada à sua finalidade. O acompanhamento dos indicadores é realizado pela gestão do hospital, com reuniões semanais, além de avaliações periódicas e acompanhamento técnico do Hospital Sírio-Libanês.

 

Com a reorganização dos fluxos, o objetivo é garantir que o Hospital de Emergência esteja cada vez mais preparado para cumprir sua principal missão: receber e atender casos de urgência e emergência com agilidade, segurança e resolutividade. A redução do tempo de permanência e o aumento da rotatividade dos leitos contribuem para liberar espaço e dar uma resposta mais rápida à população que precisa de atendimento.

 


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