Psicólogo alerta sobre perigos do isolamento digital dos jovens
Especialista reforça que mediação dos responsáveis é fundamental para impor limites e construir base emocional segura

Douglas Lima
Editor
Na era das redes sociais, a escuta ativa dentro de casa se tornou uma ferramenta de proteção fundamental. Segundo o psicólogo André Romero, crianças e adolescentes estão hoje mais suscetíveis a influências externas, o que potencializa riscos ao seu desenvolvimento. O alerta foi feito durante o programa LuizMeloEntrevista (Diário FMn 90,9) desta quarta-feira, 29.
O especialista destacou que a juventude busca naturalmente a aceitação em grupos. Ele pontuou que cada geração desenvolve sua própria linguagem, e expressões atuais como “farmar aura” são reflexos dessa dinâmica. Contudo, o ambiente virtual reforça a exposição dos adolescentes a novos perigos. Para Romero, cabe aos responsáveis a missão de apresentar o mundo e guiar os jovens de forma segura.
Outro ponto abordado foi a herança cultural da segurança pública. Devido à violência urbana dos anos 1990, muitos tutores ainda preferem ver os jovens conectados a telas do que em atividades externas.
“Hoje sabemos que, infelizmente, a violência está em todo lugar, inclusive no ambiente digital. Não há como prever a que tipo de conteúdo as crianças estão expostas na internet. Precisamos nos atentar à fragilidade dessa nova geração”, alertou André.
A entrevista também abordou uma reflexão sobre o equilíbrio educativo: o choque entre a superproteção e a autonomia precoce. De acordo com o psicólogo, deixar decisões complexas nas mãos dos menores os torna mais vulneráveis às frustrações da vida adulta.
“É fundamental impor limites. A criança não pode tudo. É injusto transferir para ela a responsabilidade de escolher o que comer ou o que fazer; esse é um dever dos pais. O filho pode ficar triste e chorar, mas a negativa é necessária”, explicou.
Ao fim, Romero concluiu que a amizade com os filhos deve ser construída por meio do diálogo diário, mas sem fugir da autoridade familiar. Antes de serem amigos, os adultos precisam cumprir o papel de educadores e servir como a primeira referência segura para os pequenos.
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