Quando devemos procurar uma UBS referência? Responsável pelo departamento de Urgência de Macapá explica
Enfermeiro Donato Farias esclarece ainda que os 14 dias de quarentena não significam a cura do paciente, mas após esses dias o infectado não libera mais o vírus e, consequentemente, não espalha.

Railana Pantoja – Da Redação
Com a superlotação das duas Unidades Básicas de Saúde referências no controle da COVID-19, UBS Lélio Silva e UBS Marcelo Cândia, disponibilizadas pela Prefeitura de Macapá, a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) tem buscado conscientizar a população para que só procurem as unidades em casos de sintomas mais fortes, como febre acima dos 38º C e dificuldade respiratória.
“Se tiver apenas com uma febrícula, coriza, tosse seca, o aconselhamento é para que fique em casa. Aí a população questiona: estou positivo, vou ficar em casa, e aí? O próprio Ministério da Saúde diz nos seus protocolos que vários casos serão subnotificados, mas essa tentativa que a gente faz pra ficarem em casa é justamente pra tentar reduzir a transmissão, pra evitar que a gente chegue na capacidade máxima e técnica de atendimento”, explica Donato Farias, diretor do Departamento de Urgência e Emergência de Macapá.
Donato diz que houve um crescimento exponencial no número de atendimentos de pacientes sintomáticos com problemas respiratórios desde o dia 13 de março. “Saímos do total de 1 caso para quase 300 por período, a cada 6h. Foi um crescimento exponencial gigantesco dentro das nossas unidades, mudando toda nossa rotina, inclusive alocando profissionais de outras unidades da Prefeitura, para poder dar suporte técnico no atendimento”, completou.
Exames
De acordo com Donato, as unidades de saúde recebem nesta sexta-feira (24) mais testes rápidos, mas, não serão aplicados em qualquer paciente. “O teste rápido não analisa a quantidade de vírus, mas sim a quantidade de anticorpos que estão presentes nesse exame. Então, se o paciente procurou a unidade com uma clínica de 4 ou 5 dias, provavelmente não terá o resultado positivo. É um teste que tem sua sensibilidade e depende da quantidade de anticorpos circulando. O recomendado é que seja feito a partir de 7 a 10 dias de sintomatologia, e os médicos estão cientes disso”, esclarece.
Outro tipo de teste disponível é o PCR. “É feito com o escarro, uma prova de DNA, e esse vai para o Instituto Evandro Chagas e devem retornar em 10 dias. Nesse caso a população fica com uma certa ansiedade para saber o resultado, e realmente demora, pois não é só o Amapá que manda exame para o IEC, e sim o Brasil todo”, relata.
Quarentena
Além do paciente infectado, é necessário que os familiares também fiquem em casa. “O infectado tem que ficar de quarentena dentro de casa, num quarto. De nada adianta o paciente ficar de quarentena junto com a família, contaminando a família e estes tendo acesso a supermercado e ruas. O que eu percebo enquanto técnico da SEMSA é que a própria população banalizou a questão do coronavírus”, falou.
Donato explica que após esses 14 dias de quarentena não significa que o paciente estará curado, e sim que ele não liberará mais a COVID-19 e consequentemente não espalhará o vírus. “Esse período de 14 dias é o período de transmissibilidade, é quando a pessoa libera o vírus. E a partir desse momento, 14 dias, a pessoa não está curada ainda, mas para de liberar o vírus, então, não é mais uma pessoa em potencial para transmitir o vírus. Você vai continuar mantendo seus hábitos, usando máscara, tendo cuidado nas suas comunicações”, finalizou.
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