Cidades

Saúde mental na pandemia: Como lidar com nossas emoções?

De acordo com André Romero, psicólogo, palestrante e coordenador do CREAS Zona Sul, os atendimentos psicológicos aumentaram na pandemia.

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Railana Pantoja
Da Redação

Em tempos de pandemia e isolamento social, aumentou a preocupação com a saúde mental e também a busca por atendimentos para lidar com os problemas que surgiram – ou foram descobertos – nesse período. De acordo com André Romero, psicólogo, palestrante e coordenador do CREAS Zona Sul, os atendimentos psicológicos aumentaram, principalmente, pelo fato das pessoas não saberem lidar com suas próprias emoções.

“Nós tivemos uma procura muito grande dos atendimentos psicológicos no consultório, especialmente. Isso ocorreu, principalmente, pela questão das pessoas não saberem lidar com a solidão que o isolamento social determina. Falam que o brasileiro é muito cordial um ao outro [e no fundo ele é] porque tem pavor de viver consigo mesmo. Isso a gente fala pra embasar o negacionismo que foi do início da pandemia e ainda há, por mais que as estatísticas tenham diminuído, o negacionismo imperou enquanto forma do brasileiro lidar”, explicou André Romero.

O psicólogo disse que o negacionismo do brasileiro é cultural, e não só numa pandemia, mas em outros momentos a tendência é negar aquilo que foge do nosso controle emocional.

“Cada país vai lidar com a pandemia a partir do seu processo cultural, e o do nosso país, infelizmente, é dessa maneira: negar a realidade, partindo do ponto de que eu psicologicamente não suporto esse real, que faz sofrer, machuca, e a gente vai pra subjetivação de negar. ‘Ah, não aceito, não dou conta de suportar isso’, então, vamos negar, banalizar, como muito aconteceu nas redes sociais”, complementou.

Para entender a dificuldade em lidar com nossas emoções durante o isolamento social, André ressalta que é importante compreender o processo e a vida “por trás”.

“Antes da pandemia todo mundo tinha uma rotina corrida, pelo menos a grande maioria das pessoas, e do nada vem um estranho que nos impõe o isolamento obrigatório e a pessoa tem que conviver consigo mesma, com a própria família, trabalhar dentro de casa; e a pessoa não sabe lidar com isso”, exemplificou o psicólogo.

Um dos caminhos seria pensar em políticas públicas, na educação, inclusive, para que as crianças aprendam desde cedo a lidar com aquilo que foge do nosso controle e pensar no agir a partir do que temos ou vivenciamos.

“Como é que na educação básica, e também na rede estadual, nós estamos educando essa criança e o adolescente para lidar exatamente com esses imprevistos, frustrações, mudanças que a vida vai ofertar? Você querendo ou não! São pautas que não entram na educação básica, e isso tudo tem que ser preparado, não temos psicólogos na maioria das escolas. Então, é indissociável falar de saúde mental e não trazer a cultura, a política, o funcionamento público da educação”, apontou.

A outra opção é sempre procurar ajuda e acompanhamento profissional quando for percebida a dificuldade em lidar consigo mesmo.

“Cada um reage de acordo com sua particularidade, então, pessoal, vamos fazer terapia, buscar ajuda profissional. Você precisa se escutar, entender o que está por trás da sua angústia, da sua crise de ansiedade, do estresse. É uma coisa sua, de você para você. A partir dessa compreensão, você pode criar alternativas”, finalizou André Romero.

 
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