Seminário na Unifap debate impactos da suspensão da bonificação regional no acesso ao ensino superior
Docente da universidade alerta para crise de acesso de estudantes amapaenses e defende ação afirmativa como instrumento de redução das desigualdades educacionais

Douglas Lima
Editor
A professora Iris Moraes, docente do Curso de História da Universidade Federal do Amapá (Unifap) participou nesta quinta-feira, 26, do programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9) para discutir os impactos da suspensão da chamada bonificação regional no acesso ao ensino superior.
O tema será aprofundado no 1º Seminário Universidade do Norte em Defesa da Bonificação, que ocorre nesta sexta-feira, 27, a partir das 14h.
Segundo a professora, que também integra a comissão organizadora do evento, o debate é urgente diante do cenário atual. “Estamos diante de uma crise de acesso regional às universidades federais. No Curso de Medicina 2026, por exemplo, não houve ingresso de estudante local. Isso é extremamente impactante”, afirmou.
A bonificação regional é um mecanismo que acrescenta percentual à nota de estudantes da região no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), como forma de compensar desigualdades estruturais na educação básica. A medida está judicializada após decisões que questionam sua constitucionalidade.
De acordo com Iris Moraes, a política pode ser compreendida como uma ação afirmativa. “A bonificação é um instrumento institucional de redução de desigualdades históricas e estruturais. Não há igualdade material no acesso à educação entre regiões como Norte e Sudeste. A realidade amazônica é outra”, destacou.
Ela explicou que no modelo atual os estudantes concorrem nacionalmente por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que eleva as notas de corte, especialmente em cursos mais disputados, como Medicina, Direito e engenharias. “A nota de corte é a pontuação mínima necessária para ingressar no curso pretendido. Em cursos muito concorridos, ela é extremamente alta. E o sistema não considera as desigualdades concretas de formação entre as regiões”, pontuou.
A docente ressaltou ainda que cerca de 80% dos candidatos da universidade são oriundos da escola pública, o que evidencia o impacto social da medida. O debate sobre bonificação regional não é isolado. Outras instituições da região Norte, como a Universidade Federal do Pará e a Universidade Federal do Acre, também enfrentaram questionamentos judiciais semelhantes e buscaram alternativas para manter políticas voltadas à redução das desigualdades regionais.
O seminário contará com a participação de representantes acadêmicos, parlamentares, movimentos sociais, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Defensoria Pública da União (DPU) e instituições de ensino como a Ueap e o Ifap. A programação inclui três painéis: um sobre educação como direito e ação afirmativa, outro sobre o cenário jurídico atual e um terceiro dedicado a experiências exitosas adotadas em outras universidades.
“A ideia é ampliar esse debate junto à sociedade, especialmente aos estudantes do ensino médio, que são diretamente afetados por essas decisões. Precisamos fundamentar tecnicamente essa política como ação afirmativa legítima”, concluiu a professora.
O evento será realizado das 14h às 19h, com programação cultural no Centro de Vivência da Unifap, e aberto ao público.
Deixe seu comentário
Publicidade


