Seminário no Museu Sacaca debate assistência técnica e fortalecimento do Programa Bolsa Verde
Evento reúne representantes de diferentes regiões do país e discute ações que vão atender cerca de novecentas famílias da Reserva Extrativista do Cajari

Encerrando três dias de programação, o Seminário Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) voltado ao Programa Bolsa Verde foi finalizado nesta quinta-feira, 5, no Museu Sacaca, em Macapá. O encontro reuniu técnicos, gestores e representantes de instituições de diferentes regiões do país para discutir estratégias de fortalecimento das políticas públicas voltadas às comunidades extrativistas e agricultores familiares.
Promovido em parceria entre a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e o Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap), o evento teve como foco principal a troca de experiências entre equipes que já executam o programa em outros estados e a preparação das ações que serão desenvolvidas no Amapá.
De acordo com a extensionista do Rurap e coordenadora do Programa Bolsa Verde no estado, Rúbia Brandão, a iniciativa busca ampliar o apoio às comunidades que vivem da floresta e dependem diretamente da preservação ambiental para garantir sua subsistência.
“O Rurap vai executar o Programa Bolsa Verde, especificamente na Reserva Extrativista do Cajari, atendendo aproximadamente 390 famílias. Vamos realizar diagnósticos nas comunidades e desenvolver ações de assistência técnica e extensão rural para apoiar essas famílias em suas atividades produtivas e na conservação da natureza”, explicou.
Segundo ela, o programa vai além do pagamento por serviços ambientais, promovendo também orientação técnica e fortalecimento da organização produtiva das comunidades.
“Muito se fala em preservação e conservação da natureza, mas é preciso olhar para as pessoas que vivem nesses territórios e trabalham diariamente com os recursos naturais. O programa busca justamente apoiar essas comunidades extrativistas, levando assistência técnica e políticas públicas para melhorar a qualidade de vida”, acrescentou.
Durante o seminário, representantes de diferentes estados compartilharam experiências sobre a execução do Bolsa Verde, apresentando metodologias e resultados obtidos em outras regiões do país. A proposta foi construir estratégias conjuntas para a implementação das ações no Amapá.
O presidente da Anater, Camilo Capiberibe, destacou que o encontro marca o fortalecimento da parceria entre o governo federal e o governo do estado para ampliar os investimentos em assistência técnica e desenvolvimento sustentável na região. Segundo ele, atualmente cerca de 990 famílias do Amapá já participam do Programa Bolsa Verde, recebendo apoio técnico e incentivo financeiro.
“Quem está no programa recebe R$ 600 a cada três meses como pagamento por serviços ambientais, além da assistência técnica. Nosso objetivo é garantir que essas famílias também tenham acesso a financiamentos, como o Pronaf e programas da reforma agrária, tornando o programa ainda mais robusto”, afirmou.
Camilo também ressaltou que novos investimentos estão sendo destinados ao estado para fortalecer a agricultura familiar e enfrentar desafios produtivos. “Assinamos contratos da ordem de R$ 25 milhões, o maior investimento já feito em assistência técnica no Amapá. Parte desses recursos será aplicada no enfrentamento da praga da mandioca, que afetou agricultores familiares e comunidades indígenas, além de ações voltadas ao reflorestamento produtivo”, explicou.
Entre as iniciativas anunciadas está o programa Florestas Produtivas, que pretende recuperar áreas degradadas com o plantio de espécies que gerem renda, como açaí, cacau e café.
“Não se trata apenas de reflorestar, mas de recuperar áreas garantindo produção e renda para quem vive no campo. Queremos mostrar que é possível desenvolver a Amazônia gerando emprego, renda e qualidade de vida para as populações que vivem nesses territórios”, destacou.
As ações do Programa Bolsa Verde no Amapá devem beneficiar comunidades da Reserva Extrativista do Cajari, localizada entre os municípios de Mazagão, Laranjal do Jari e Vitória do Jari.
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