Cidades

Treinamento virtual vai preparar unidades de saúde para acolhimento da população LGBT

O objetivo é capacitar profissionais da recepção e assistência a darem tratamento adequado para essas minorias e acelerar processo de inserção social.


Hélmiton Prateado

 

As unidades de saúde geridas pelo Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH) no Amapá vão receber treinamento para acolhimento e encaminhamento da população LGBT. O objetivo é capacitar profissionais da recepção e assistência a darem tratamento adequado para essas minorias e acelerar processo de inserção social.

As unidades são os Centros de Atenção ao Covid-19 de Macapá e Santana, além da UPA Zona Sul, na capital, todas da rede estadual de saúde. A medida foi iniciativa da diretora da UPA, Nara Araújo, que identificou uma necessidade de acolher esses usuários da saúde de forma a derrubar barreiras e inserir os cidadãos dentro de uma moderna perspectiva.


“Buscamos ampliar os conceitos e tratamentos da forma mais humanizada possível e identificamos que isso passa também por uma atenção diferenciada para a população LGBT, de forma a quebrar barreiras e ser mais inclusiva”, explica a diretora.

Para a primeira semana de setembro está sendo montada uma programação de acesso digital para os profissionais e será feita uma participação através de plataforma remota com a jornalista Bruna Andrade, que produz conteúdos para a internet com temas relacionados à inclusão e diversidade da população LBGT. A goiana, que reside em São Paulo e faz pós-graduação em comunicação, participa ativamente de projetos inclusivos e se prontificou a participar do projeto do IBGH.

“Há alguns anos nem sequer se falava em diversidade e hoje é muito difícil pensar em qualquer movimento sem falar de inclusão. Só que esse exercício parece difícil para a maioria das pessoas porque não associam o tema diversidade a algo comum. Mas, diversidade é algo que todos temos, basta considerar que todo mundo tem algo diferente dos outros. Justamente nesse ponto pretendemos é mostrar que somos parecidos em muitas coisas e que isso nos aproxima”, comenta.

Bruna lembra que muitos indivíduos pertencentes a essas minorias passam por constrangimentos na hora de atendimento como em unidades de saúde e que ainda há barreiras a serem derrubadas nesse sentido.

A diretora Nara conta que o objetivo é de fato derrubar barreiras e dar uma nova formatação ao serviço de saúde. “Precisamos acolher e inserir, jamais constranger ou deixar de dar essa cidadania plena”, frisa.

 

Avanço
O presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT no Amapá, André Lopes, diz que vê como avanço o processo buscado pelo IBGH para inserção dessa população e espera que isso vá adiante. “Nós, LGBTs, ainda temos muitas dificuldades e esperamos que todo o contingente de profissionais, desde o agente de portaria até médicos e profissionais da assistência, ampliem esses conceitos e práticas”.


Ele observa que é necessário capacitar todos os profissionais até mudar paradigmas como alteração em formulários de identificação, uso do nome social, uso de sanitários dentro dos conceitos sociais de gênero. “Temos a certeza que toda a população, não somente a parte LGBT, serão beneficiada com essas medidas”, finaliza.


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