Virulência do Covid-19 preocupa, mas suspeita-se que não se adapte ao calor, diz presidente do CRM
Ao lado do secretário de saúde do Amapá, João Bittencourt, o dirigente da entidade da classe dos médicos apresenta informações esclarecedoras

Cleber Barbosa
Da Redação
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Amapá (CRM-AP), o médico Eduardo Monteiro, disse que coronavírus já é conhecido desde a década de 60 no mundo, mas o que difere neste descoberto agora é sua virulência, que vem preocupando a comunidade científica e médica. Mas uma característica apresentada nestes primeiros meses aponta que ele “não se dê bem” diante do calor.
Falando ao programa Café com Notícia, da rádio Diário FM (90,9), o dirigente da entidade de classe dos médicos diz que os primeiros dados dão conta que a cada 7,2 dias, o coronavírus se multiplica por 10. “Os pesquisadores esperam que com essas estatísticas até abril serão 40 mil casos novos casos notificados, com alguns casos até passando desapercebidos, porém o problema maior é o grupo etário de maior incidência, que são os idosos”, disse ele.
A taxa de letalidade entre os idosos chega acima de 15%, segundo o CRM, enquanto que nos jovens está na faixa de 0,2%. A grande complicação do coronavírus, segundo Monteiro, é levar a uma insuficiência respiratória. “Daí a projeção de que o país vá necessitar de 10 mil a 11 mil leitos de UTI, o que não existe e é uma situação extremamente preocupante”, diz o médico.
“Não levem os idosos para passear”
Já o secretário estadual de Saúde, (SESA), João Bittencourt, transmitiu uma mensagem de alento à sociedade amapaense, apesar da preocupação e da mobilização por medidas de contenção da proliferação. Porém reforça a necessidade da população ajudar evitando eventos de aglomeração de pessoas, especialmente os idosos. “Não levem os idosos para passear por esses dias”, disse ele.
Mas o dirigente estadual da pasta da saúde procurou também destacar os esforços que o Estado e o Governo Federal vem fazendo para minimizar o problema. O Ministério da Saúde deverá alocar 1 mil leitos em todo o país, sendo 20 para o Amapá, que deverão ser instalados no Centro de Doenças Transmissíveis, em Macapá.
É preciso ter em mente que essa trajetória antecede outras doenças também virais, mais graves inclusive, pois em 2002 tivemos a SARSI, depois o H1N1 com letalidade média de 17%; em 2015 a ZIKA e no final de 2019 nos deparamos com o Coronavírus, cuja mortalidade está em torno de 3%, disse o secretário, que questiona o alarde todo criado, atribuindo à força das redes sociais.
João Bittencourt lembrou que desde o registro de cinco casos suspeitos na Guiana Francesa, o Governo do Amapá adotou medidas emergenciais para evitar que o vírus chegasse ao Amapá. Também foram preparados dois leitos de uma unidade semi-intensiva para tratar possíveis casos na região fronteiriça.
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