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Haroldo, um craque meio campista que tem histórias no futebol

CAMPEÃO PELO JUVENTUS E SÃO JOSÉ



Um craque do futebol do passado, de quando os jogadores suavam a camisa com amor pelas cores do clube que defendiam: Haroldo Pinto, que dia 28 de março completou 72 anos de idade.

Haroldo jogou pelo hoje inexistente Juventus, Esporte Clube Macapá, Santana e São José. Por várias vezes atuou pela Seleção Amapaense de Futebol em campeonatos brasileiros e regionais.

Oriundo de Gurupá (PA), quem seria um dos astros dos gramados do então território federal do Amapá chegou na terra tucuju em novembro de 1947. Desde aí nunca mais saiu daqui. Afeito à bola, o baixinho paraense, mais que tudo, na sua época de jovem, dedicou-se ao futebol.

Aos dez anos de idade Haroldo já engrossava a leva de garotos que todas as tardes, às 17h, convergia para a hoje praça Veiga Cabral, na área do lado direito do Teatro das Bacabeiras, que ainda não tinha sido construído, para a famosa pelada sob orientação dos padres da então Prelazia de São José.

“Foi gostoso aquele tempo, um dos mais felizes da minha vida. Eram em torno de 50 adolescentes que se revezavam em times formados na hora. Quem perdia ia saindo do retângulo de jogo com uma trave para o lado da avenida São São José e outra para a Cândido Mendes”, lembra Haroldo, com brilho nos olhos, sinal da saudade de um período que não volta mais.

Aquela molecada da Veiga Cabral ou dos padres inspirou a criação do Juventus, time que fez época em Macapá, chegando a disputar, pela ordem, as segunda e primeira divisões do futebol oficial da cidade.

Pelo Juventus, Haroldo Pinto foi campeão. Depois, passou para o Macapá, uma das forças maiores do futebol da época. Santana surgiu como o próximo clube, levado já com o oferecimento de um salário, o mínimo. Por fim, o São José, equipe na qual encerrou a carreira de jogador, sempre como meio de campo, armando jogadas, deixando os atacantes na cara do gol.

O craque lembra que o jogo mais memorável de sua carreira foi entre as seleções do Amapá e Maranhão. Não que tenha feito uma brilhante partida ou decidido o embate com um golaço. Os amapaenses venceram por 2 a 1.

O jogo foi memorável para Haroldo porque ele foi pra campo como reserva, tendo perdido a posição para Elair. Em determinado momento do prélio a torcida começou a pedir Haroldo!, Haroldo!, Haroldo!, Haroldo! … Mediante a pressão, o técnico Dezesseis, da Seleção Amapaense, não teve outra coisa a fazer senão colocar o baixinho em campo, e tirar Elair que assim voltou para a condição de reserva.

Haroldo Pinto tem muitas histórias pra contar sobre o futebol. Ele gosta tanto do esporrte que até esquece a sua trajetória de empresário bem sucedido. Uma dessas histórias é a amargura que sente ao ver atualmente os estádios vazios com um futebol jogado sem craques, jogadores sem vontade de vencer, de defender a camisa que vestem.

O ex craque não entende porque na época do futebol amadorístico do Amapá os jogos enchiam os campos de torcedores; a crônica esportiva vibrante ao extremo; os diretores, responsáveis, tirando dinheiro do próprio bolso para suprir necessidades dos clubes. Até os jogadores faziam despesas pessoais, como ele mesmo, Haroldo, que tantas vezes comprou a sua chuteira, o meião, o calção para jogar…tudo para bem representar o seu time e fazer a torcida feliz.
Ah, o tempo é assim, inexorável, porém muitas das vezes não aproveitado e valorizado pelo homem que se deixa levar por valores distantes da alegria, da solidariedade, da união e da vibração que o futebol proporciona.

 


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