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Após 10 anos, Verônica dos Tambores vai lançar trabalho com músicas inéditas

Cantora amapaense tem mais de quatro décadas dedicadas à música.


Gabriel Penha

Especial para o DIário

 

Tem artista que quando sobe num palco sofre verdadeiras metamorfoses e parece trazer consigo uma energia capaz de contagiar o público. No caso de Verônica dos Tambores, essa energia é potencializada pelos ancestrais da Mãe África, de onde descende – tem raízes familiares em Mazagão Velho, uma vila que guarda a história de uma cidade africana “transplantada” para a Amazônia, no século 18.

A arte e a cultura estão no DNA e no sangue corre nas veias dessa notável cantora e compositora. Quarta filha e a mais velha das mulheres de um total de 13 filhos (dois já falecidos) de José Jorge da Silva, o saudoso Mestre Jorge e de dona Euflorzina Nunes (Tia Flor), canta como poucos a história e a cultura do próprio lugar.

Sua obra inclui canções que viraram verdadeiros hinos de Mazagão. Em “Porta da Capela” ela instiga e convida através de seus versos: “É hora de conhecer a história de Mazagão”. A icônica “Chamado” fala com riquezas de detalhes sobre a festa bicentenária que acontece no mês de julho, na vila já batizada de berço da cultura do Amapá.

Para São Tiago ainda dedica a devoção nas músicas “Perdão” e “Romaria”. Ainda prestou homenagem em vida ao pai ainda em vida, em “Batalha”, com referência a um dos percussores da cultura de Mazagão Velho quando preconizou que “Agora vai se despedindo, pelas ruas de Mazagão/E o povo vai aplaudindo, o mestre, o amigo e o raiz deste chão”.

Esse sentimento está eternizado em um CD lançado em 2012. Agora, dez anos depois, Verônica se prepara para lançar um álbum com músicas inéditas, com sete faixas, todas de sua autoria; o trabalho foi garantido através do Edital 002/2021, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Edital Promotor Mauro Guilherme.

Mesmo ainda não lançadas oficialmente, algumas dessas inéditas já fazem parte do repertório dos shows. Em recente apresentação que marcou o encerramento das comemorações dos 20 anos da exposição a céu aberto do Museu Sacaca, já encantou o público com uma das canções do novo trabalho. “Vem ver a grande procissão, é cultura, é história na vila de Mazagão, o mestre Jorge está chamando os foliões da piedade, e todos iram ouvir o canto da saudade”, diz o refrão. Sempre ao som de uma precisa percussão e das inconfundíveis caixas de marabaixo.

Aos 63 anos com mais de quarenta dedicados à arte, uma das vozes mais marcantes da música amapaense agora entoa o canto da sabedoria. Aquele talento que já levou o nome de Mazagão e do Amapá a grandes palcos do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Manaus e outras cidades do Brasil, agora reveza sua rotina entre a arte de cantar (e nos encantar) e de paparicar os netos.

Diz que a hora de parar é certa, mas que está nas Mãos de Deus. “Um dia chega a hora de parar. É o ciclo da vida. Mas enquanto estivermos aqui, temos a missão de levar mensagens de paz para o coração das pessoas. A missão das pessoas boas é fazer e espalhar o bem”, disse ela em uma de suas recentes apresentações.

O novo trabalho ainda não tem data definido para ser lançado. Mas fica a expectativa de termos mais uma obra carregada de energia positiva e o alto astral inconfundíveis de Maria Verônica da Silva, a rainha da voz, Verônica dos Tambores.


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