Companhia Cangapé leva circo gratuito a residenciais de Macapá e amplia acesso à cultura
Projeto Circo no Residencial chega à terceira edição e leva espetáculos e oficinas gratuitas para comunidades da capital; próxima apresentação será sábado, 31, no Vila dos Oliveiras

Douglas Lima
Editor
Com 21 anos de atuação no Amapá, a Companhia Cangapé tem levado a arte circense para além dos espaços tradicionais de apresentação. Por meio do projeto Circo no Residencial, a companhia percorre conjuntos habitacionais de Macapá com espetáculos gratuitos e atividades de formação, aproximando o público da cultura e garantindo o acesso à arte para famílias que muitas vezes não têm condições de frequentar apresentações comerciais.
A iniciativa foi apresentada nesta quinta-feira, 29 pela coordenadora-geral da Companhia Cangapé, Alice Araújo, durante fala no programa ‘LuizMeloEntrevista’, do Sistema Diário de Comunicação. Segundo ela, o projeto está em sua terceira edição e tem como principal objetivo democratizar o acesso à cultura.
“Circo no Residencial é um projeto muito bonito, em que a gente leva o circo para as comunidades. O objetivo principal é garantir para as comunidades amapaenses o acesso à cultura e à arte, que é um direito constitucional”, explicou.
A proposta atende toda a família, sem restrição de idade. O público inclui desde bebês de colo até idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. Os espetáculos são livres para todos os públicos e a entrada, gratuita. A iniciativa também busca inverter a lógica tradicional de acesso ao circo. Em vez de as famílias precisarem se deslocar até um espaço de apresentação, é a companhia que leva a estrutura circense para perto dos moradores.
Um dos aspectos que mais emocionam a equipe, segundo a coordenadora, é encontrar pessoas que estão tendo o primeiro contato com um espetáculo circense. Durante as apresentações, é comum ouvir de crianças, adultos e idosos que aquela é a primeira vez que entram em um circo.
Para Alice, essas experiências demonstram a importância de iniciativas que aproximem a população da produção artística local: “A gente leva o circo para as casas, leva o circo para as pessoas, para a família. Isso nos alimenta da melhor forma possível, de poder mostrar para aquelas pessoas a arte que é produzida no estado do Amapá”, afirmou.
Além dos espetáculos, o projeto oferece oficinas gratuitas nos residenciais visitados. A formação artística é considerada pela companhia uma parte fundamental da iniciativa, especialmente para crianças e jovens.
Próxima parada será no Vila dos Oliveiras
A próxima apresentação do Circo no Residencial será sábado, 31, às 19h, no Residencial Vila dos Oliveiras. Será a primeira vez que a companhia levará o projeto ao conjunto habitacional. Como o espaço disponível no residencial não permite a instalação completa da lona, a equipe fará adaptações na estrutura. A apresentação, no entanto, será realizada normalmente e continuará sendo gratuita. A recomendação é que o público chegue cedo, devido à grande procura pelas apresentações.
Movimentação da economia local
Além do acesso à cultura, a presença do circo nos residenciais também movimenta a economia das comunidades. A companhia não comercializa alimentos ou bebidas durante os eventos, permitindo que moradores aproveitem o movimento para vender seus próprios produtos.
“Se a gente vendesse, a gente tiraria esse lugar da comunidade. Então, a gente deixa isso para a comunidade comercializar”, explicou Alice.
A iniciativa também mobiliza uma cadeia de profissionais envolvidos diretamente e indiretamente na montagem e realização dos espetáculos. No projeto, cerca de 30 profissionais atuam diretamente, além de motoristas, carpinteiros, costureiras, locadores e outros trabalhadores.
Artistas formados pela própria companhia
A Companhia Cangapé também mantém um trabalho permanente de formação artística em sua sede, no bairro do Araxá, onde possui um Ponto de Cultura certificado pelo Ministério da Cultura. No espaço, são oferecidas gratuitamente oficinas de circo, teatro e contação de histórias, entre outras atividades. Atualmente, a companhia também desenvolve atividades envolvendo audiovisual.
Alice destaca que parte dos artistas que hoje integram o elenco profissional começou ainda criança nas atividades da companhia. Segundo ela, alguns desses jovens chegaram à profissionalização e atualmente vivem exclusivamente da cultura e do circo.
Circo produzido no Amapá
Com duas décadas de trajetória, a Companhia Cangapé já realizou apresentações e projetos em diferentes regiões do Brasil e também desenvolve ações nos municípios do Amapá.
Para Alice, a circulação representa uma forma de democratizar a produção cultural do estado e valorizar os artistas locais. “Tudo que você vê no nosso circo é produção do Amapá. Tudo é Amapá”, destacou.
O projeto Circo no Residencial conta, nesta edição, com incentivo da Lei Rouanet, patrocínio do Grupo Equatorial e apoio da Secretaria de Estado da Cultura.
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