Nota 10

Debate sobre nome do Teatro das Bacabeiras mobiliza artistas e Memorial Amapá

Jornalista Walter Júnior, idealizador, fundador e presidente do Instituto defende preservação da identidade histórica do principal teatro amapaense


 

A proposta de alteração do nome do Teatro das Bacabeiras voltou ao centro do debate cultural amapaense nesta quinta-feira, 14, no programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9). O jornalista Walter Júnior, presidente do Movimento Memorial Amapá, comentou o Projeto de Lei nº 050/2026, aprovado pela Assembleia Legislativa, que acrescenta o nome do teatrólogo Amadeu Lobato ao principal teatro do estado.

 

 

A proposta prevê que o espaço passe a se chamar Teatro das Bacabeiras Amadeu Lobato. Embora reconheça a importância histórica do teatrólogo para a cultura local, Walter Júnior afirmou que o movimento defende a manutenção integral do nome original do teatro, criado na década de 1990 após amplo debate entre artistas e intelectuais do estado.

 

 

“O nome Teatro das Bacabeiras homenageia a identidade de um povo, não apenas uma pessoa. Ele remete à origem histórica e cultural de Macapá”, afirmou o memorialista.

 

Segundo Walter, a escolha do nome foi resultado de uma mobilização conduzida por nomes como os escritores Fernando Canto, Nilson Montoril e Edgar Rodrigues, após discussões sobre possíveis homenagens individuais ao espaço cultural.

 

“A professora Zaide Soledade sugeriu o nome, fundamentando que Macapá significa ‘estância das bacabas’. Foi uma solução construída coletivamente”, explicou Walter Júnior.

 

O presidente informou que o Instituto Memorial Amapá se reuniu com o deputado estadual Jesus Pontes, autor da proposta, para apresentar alternativas de homenagem a Amadeu Lobato, sem modificar o nome do teatro.

 

Entre as sugestões apresentadas está a denominação do anfiteatro da Fortaleza de São José de Macapá com o nome de Amadeu Lobato, local onde o artista consolidou sua trajetória com o espetáculo Uma Cruz para Jesus, encenado há mais de quatro décadas. “É naquele espaço que ele se eternizou como um dos grandes nomes das artes cênicas do Amapá”, destacou Walter Júnior.

 

O Memorial também sugere oficializar, por meio de lei específica, o nome Teatro das Bacabeiras, já que atualmente a nomenclatura não possui legislação formal que a regulamente. Walter afirmou ainda que o deputado recebeu positivamente as sugestões e propôs ampliar o debate com representantes do movimento cultural e do Conselho Estadual de Cultura.

 

Durante o programa, o historiador Célio Alício também comentou o tema e defendeu que Amadeu Lobato receba homenagens em outros equipamentos culturais, preservando a identidade histórica do teatro: “Uma escola de arte, um teatro experimental ou outro espaço cultural poderiam receber o nome do Amadeu. O Teatro das Bacabeiras representa nossa essência cultural”, afirmou.

 

 

Já o produtor cultural Popó, ligado ao setor teatral amapaense, manifestou apoio à proposta aprovada pela Assembleia Legislativa e destacou a relevância de Amadeu Lobato para a formação de gerações de artistas locais: “O Amadeu foi o maior teatrólogo da história do Amapá. Muitos artistas passaram pelas mãos dele dentro do Teatro das Bacabeiras”, declarou.

 

 


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