Nota 10

Encontro debate terra, território e bem viver como forma de resistências

Evento em Macapá é uma das consequências da morte de líder waiãpi

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Douglas Lima
Da Redação

Às 9h desta quarta-feira, 7, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Federais Civis no Estado do Amapá (Sindsep), zona central de Macapá, acontece encontro denominado pelos organizadores como ‘Debate público com movimentos populares e sindicatos do Amapá’ com o tema ‘Encontro de resistências: terra, território e bem viver’.

Para anunciar o evento, estiveram no início da noite desta terça-feira, 6, no programa ‘Café com Notícia’ (Diário FM 90,9), Simone Karipuna e Émerson Santos, representantes do Comitê da Organização Popular em Defesa dos Povos Indígenas, criado como uma das repercussões da morte do cacique Emyra Waiãpi em aldeia no município de Pedra Branca do Amapari, recentemente.


No programa também esteve Nara Baré, do estado do Amazonas, pertencente à Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira. Ela veio como convidada especial do debate que, como disse em entrevista à apresentadora Ana Girlene, busca fazer um entrelaçamento de mãos de movimentos populares, lideranças indígenas, mulheres, sindicatos, pastorais, comunicadores, pesquisadores e trabalhadores dos campos, das matas, das florestas e das águas.

“Se os grandes não querem ser do nosso lado, vamos nos dar as mãos, os pequenos”, destacou Nara, para quem desde logo após o resultado da eleição presidencial de 28 de outubro de 2018 territórios indígenas no país começaram a ser invadidos por pistoleiros a serviço do agronegócio, garimpeiros e madeireiros, levados pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro de liberar o uso de armas e legalizar a mineração dentro de terras não só indígenas, mas também de quilombolas e de extrativistas.

Simone Karipuna pontuou que as causas indígenas passam por momentos delicados, daí o pedido de socorro dos “irmãos waiãpi, que veem suas terras invadidas por garimpeiros e tendo um líder assassinado”. Ela afirmou que invasões a terras indígenas não ocorrem apenas no Amapá. “Isso acontece em nível de Brasil. É preocupante, porque o Estado brasileiro tem feito esforços para entrar nos territórios indígenas e colocar a mineração dentro dessas áreas”, concluiu.

Emerson Santos, do Fórum Social Panamazônico, disse que é imprescindível denunciar a política de desmonte das estruturas de proteção do meio ambiente, os ataques de intervenção geopolítica e a militarização no país. Para ele, também têm que ser desmontados os interesses locais das elites políticas e econômicas do Amapá, bem como a estrutura de corrupção em órgãos públicos.

 
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