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Nota 10

Encontro dos Tambores encerra festividades com futuros investimentos garantidos para a UNA

Primeira edição pós-pandemia reuniu a comunidade em torno das manifestações da cultura negra no Amapá.


Luiza Nobre

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Retomando as atividades presenciais após o pior pico de contaminação da COVID-19, a edição do Encontro dos Tambores 2021 trouxe como tema “Ancestralidade e Resistência”, referenciando todas as perdas ocorridas durante a pandemia, em especial, a do Padre Aldenor Benjamin, um dos organizadores anuais da missa dos quilombos, e a mais recente partida de Azevedo Picanço, radialista negro e atuante do movimento no Amapá.

Tradicionalmente celebrado há 26 anos, o Encontro dos Tambores é uma festividade exclusiva do estado, sendo considerada Patrimônio Cultural Imaterial do Amapá. Reúne shows musicais de artistas locais, rodas de marabaixo e capoeira, exposição e venda de artesanatos e comidas típicas e celebrações religiosas. “Essa resistência é importante para que a partir daqui a gente não pense mais em desistir”, explica Yuri Soledade, diretor de cultura da UNA.

O evento é organizado pela União dos Negros do Amapá (UNA) com apoio do Governo do Estado, através das secretarias estaduais de Cultura (Secult) e de Políticas para Afrodescendentes (Seafro), além do apoio de parlamentares e demais entidades comprometidas com a causa. Com exclusividade para a Diário FM, o vereador de Macapá, Claudiomar Rosa (Avante), anunciou uma emenda de 200 mil reais, viabilizada pelo Senador Davi Alcolumbre (DEM), para a revitalização do Centro de Cultura Negra do Amapá.

Imortalizada pela academia de batuque e marabaixo do Amapá, Mestra Naíra Sena, que foi uma das co-fundadoras da UNA, recordou a persistência da comunidade para a manutenção do espaço físico da União dos Negros do Amapá, que até o presente momento não é titulado nem pelo governo do estado, e nem pela prefeitura, dificultando a captação de verbas para a reforma na infraestrutura. “Eu espero que a organização dê continuidade a esse trabalho, porque eu já quis desistir, mas a gente se fortalece”, recordou Dona Naíra.

“A cultura negra é a essência do estado do Amapá, a matriz que movimenta tudo. Precisamos nos unir para atingir o respeito e reconhecimento em um estado com mais de 70% da população negra parda”, concluiu o secretário estadual de Cultural, Evandro Milhomem.


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