Entre caravelas, canhões e relógios, artesão transforma madeira em viagem no tempo na Expofeira 2026
Rômulo Bispo apresenta peças rústicas inspiradas na vida ribeirinha, no universo dos piratas e na história portuguesa; uma das obras levou mais de sete meses para ficar pronta

Quem circula pela Expofeira 2026 pode até imaginar que fez uma viagem no tempo. Em meio aos estandes, uma caravela de piratas, um antigo canhão português, peças gigantes de xadrez e um relógio inspirado no cotidiano ribeirinho despertam a curiosidade dos visitantes. As criações são do artesão e artista visual Rômulo Bispo, de 48 anos, que aposta nos detalhes para transformar a madeira em peças que contam histórias.
Já conhecido pelos trabalhos com artes visuais, grafite e serigrafia, Rômulo participa novamente da feira, mas, desta vez, apresenta uma coleção de artesanato em madeira. A versatilidade é uma das marcas do artista, que encara diferentes desafios e transforma ideias em peças únicas.
“Trabalho com artesanato, artes visuais, grafite e serigrafia. Quando aparece alguma coisa que está ao meu alcance, sou capaz de fazer e concluir o serviço”, conta.
A principal atração do estande é uma caravela inspirada nas embarcações dos piratas. A obra levou sete meses e 15 dias para ficar pronta e reúne pequenos elementos construídos individualmente, como bote, sino, barris e escadas. Para criar a aparência envelhecida, o artesão combinou madeira, papel Paraná, resina e pintura.
Antes de começar a trabalhar na madeira, Rômulo pesquisou modelos de embarcações, consultou conteúdos na internet e estudou aspectos da vida a bordo dos antigos navios. O resultado é uma peça que convida o visitante a observar cada detalhe e descobrir novos elementos a cada olhar.
Outro destaque é o conjunto Ribeirinha, formado por quatro peças, entre elas um relógio que representa elementos do cotidiano das comunidades amazônicas. Avaliado em R$ 3 mil, o conjunto está disponível para venda, assim como os demais trabalhos expostos.
A história também ganha forma em um canhão inspirado no período português. A ideia surgiu depois que Rômulo encontrou imagens em livros e revistas. A partir delas, desenhou o modelo no papel e começou o trabalho de corte e montagem da madeira. Até as pequenas rodas foram confeccionadas manualmente.
Já a obra Jogo de Mestre apresenta três personagens do tabuleiro: rei, rainha e bispo. A composição não foi criada para iniciar uma partida, mas para decorar escritórios, salas e outros ambientes. É o xadrez transformado em peça de contemplação, sem risco de xeque-mate.
Embora as vendas ainda estejam começando, o artesão já recebeu encomendas e manifestações de interesse. Entre uma pergunta e outra, ele apresenta ao público a história por trás de cada criação e mostra que, em suas mãos, a madeira pode se transformar em barco, relógio, canhão ou qualquer outra coisa que a imaginação permitir.
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