Nota 10

Extrativismo do açaí em comunidade do Amapá é destaque no livro “Sistemas Agrícolas Tradicionais do Brasil”   

No ano passado o projeto foi premiado na seleção do Prêmio BNDES de Boas Práticas em Sistemas Agrícolas Tradicionais no Brasil (SATs). Das 58 iniciativas inscritas, de vários estados do Brasil, 15 passaram pela seleção para receber prêmios em dinheiro. Quatro projetos premiados foram da região Norte, apenas este do Amapá.

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“Açaí – do roçado à floresta: a história do sistema agroflorestal da comunidade do Arraiol do Bailique (Amapá)” é o título de um capítulo do livro Sistemas Agrícolas Tradicionais do Brasil, que reúne as 15 experiências premiadas pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na chamada do I Prêmio BNDES de Boas Práticas para Sistemas Agrícolas Tradicionais (SATs). O trecho que relata a experiência do agroextrativismo no Bailique foi escrito pela engenheira florestal pesquisadora da Embrapa Amapá, Ana Euler; pelo estudante da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – campus Sorocaba, Daniel Oliver Franco; pela bolsista da Embrapa Amapá, Isabelly Ribeiro Guabiraba; e os agroextrativistas moradores da comunidade, Talyssa Taner Lopes dos Santos, Daiana Machado Lopes e José Cordeiro dos Santos Lopes.

O capítulo que relata a experiência do Bailique descreve os objetivos e resultados do Projeto Semear (Produção de Sementes Florestais e Crioulas em Comunidades do Arquipélago do Bailique) executado em 2016 e 2017, por meio de uma parceria entre a Embrapa Amapá, a Comunidade do Arraiol do Bailique e a Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique (ACTB), com o apoio da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O Projeto Semear foi liderado pela pesquisadora Ana Euler e envolveu moradores do Bailique em iniciativas como mapeamento participativo do uso e ocupação, demarcação de Áreas de Coleta de Sementes (ACS), capacitação em produção e comercialização de sementes e mudas florestais, boas práticas para a produção de óleos vegetais, manejo de mínimo impacto de açaizais nativos, manejo de pau mulato em sistemas agroflorestais, ferramentas gerenciais e de comunicação para a implementação de plano de negócios, elaboração e distribuição do Calendário Produtivo 2018. Entre os parceiros das capacitações está a professora da UFSCar, Fátima Piña-Rodrigues, que ministrou cursos in loco no Bailique.

O arquipélago do Bailique está situado no estado do Amapá, município de Macapá. É composto de um conjunto de oito ilhas estuarinas localizadas no encontro do Rio Amazonas com o Oceano Atlântico, onde florestas de várzea, campos inundados e manguezais compõem um mosaico de paisagens naturais com beleza e riqueza inigualáveis. A comunidade Arraiol do Bailique é representativa desta região. A população trabalha com roçado, sistemas agroflorestais, criação de búfalos, manejo de açaizais nativos, pesca e caça, e todas as famílias mantêm quintais e girais onde produzem frutas, temperos e plantas medicinais.

A comunidade do Arraiol do Bailique vive em uma pequena vila às margens do Igarapé do Arraiol, onde residem 61 moradores, divididos em cerca de 13 unidades familiares. Esta comunidade desenvolveu um sistema agrobiodiverso caracterizado por plantas cultivadas nas áreas de roçado (38 espécies), nos quintais e girais das casas (34 espécies), plantas medicinais (47 espécies), extrativismo vegetal (37 espécies), bubalinocultura e apicultura. De acordo com pesquisa participativa feita pela Embrapa, entre 50% e 60% da economia da comunidade vem do açaí, além de ser fonte de alimentação o ano todo. Outros produtos agrícolas também são importantes para alimentação e complementação de renda, com destaque para o mel, a melancia, o maxixe e o jerimum. O conhecimento e o uso de plantas medicinais são um traço importante da cultura local.

 
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