Nota 10

Governo do Estado lança ‘Marabaixo: Tradição do Amapá’, na voz da cantora Alcione e artistas amapaenses

A iniciativa busca projetar a cultura afro-amapaense em âmbito nacional


 

Com o objetivo de promover o reconhecimento nacional da cultura afro-amapaense, o Governo do Estado lançou, na sexta-feira, 16, nas plataformas digitais, o projeto “Marabaixo: Tradição do Amapá”, interpretado pela cantora, compositora e instrumentista Alcione, em parceria com artistas amapaenses.

 

O projeto reúne um pot-pourri com algumas das canções mais representativas da cultura do estado, incluindo os chamados ladrões de marabaixo, versos e cantigas que compõem essa manifestação cultural, como “Rosa Branca Açucena”, “Meu Sarilho é Dobrador”, “Eu Caio, Eu Caio” e “Aonde Tu Vai, Rapaz?”, de Raimundo Ladislau.

 

A escolha da renomada artista foi motivada pela sua forte conexão com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que, em 2026, vai homenagear o Amapá com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra”, destacando a figura de Mestre Sacaca, curandeiro popular e símbolo da sabedoria ancestral amazônica.

 

 

Além da intensa ligação com os estilos musicais do Norte e do Nordeste, ao longo da carreira, Alcione transitou por diversos ritmos, como forró, xote, baião, maracatu, toadas de bumba meu boi, entre outros gêneros das diferentes regiões do país.

 

A cantora, conhecida como “Marrom”, apesar de sua vasta experiência musical, ainda não conhecia o Marabaixo. Ela afirmou sentir-se honrada com o convite feito pelo Governo do Estado e com a oportunidade de registrar essa expressão da cultura popular brasileira.

 

 

“É sempre bom conhecer coisas novas. Foi maravilhoso conhecer e cantar o Marabaixo, porque o Brasil é um país de tantos ritmos, de tantas raças, e isso representa a beleza da nossa cultura popular. Onde a gente vai, tem um pedaço da nossa gente”, destacou Alcione.

 

Marabaixo: resistência e identidade

O Marabaixo é uma manifestação cultural afro-brasileira do Amapá, reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Trata-se de uma celebração que reúne conhecimentos tradicionais, dança, música, ritos do catolicismo popular e herança africana.

 

Trazida para a Amazônia por negros escravizados, sua origem remonta ao período da escravidão, surgindo entre o lamento e a resistência.

 

Segundo narrativas históricas, o nome deriva da expressão “mar acima, mar abaixo”, evocando o balanço dos navios negreiros durante a diáspora africana.

 

Nos barracões do Amapá, o Marabaixo é dançado em rodas que giram no sentido anti-horário, com passos arrastados que simbolizam a memória dos pés outrora acorrentados.

 

 

Atualmente, essa herança cultural se renova a cada Ciclo do Marabaixo, evento que une o sagrado ao comunitário. Recentemente, a manifestação ganhou destaque nacional com o documentário “Amazônia Negra: Expedição Amapá”, exibido nos canais Bis e GloboNews, disponível no Globoplay, com participação de Carlinhos Brown e artistas locais.

 

O single “Marabaixo: Tradição do Amapá”

O pot-pourri reúne obras de compositores consagrados e canções de domínio público. Entre os destaques está Joãozinho Gomes, renomado compositor amapaense e um dos autores do samba-enredo da Mangueira para o Carnaval de 2026.

 

Faixas que compõem o single:

  • Música incidental: “A Beleza da Arte que Emana” (Enrico Di Miceli/Joãozinho Gomes);
  • “Mão de Couro” (Val Milhomem/Joãozinho Gomes);
  • Ladrões de marabaixo: “Aonde Tu Vai, Rapaz?” (Raimundo Ladislau – domínio público);
  • “Rosa Branca Açucena” (tradicional – domínio público);
  • “Meu Sarilho é Dobrador” (tradicional – domínio público);
  • “Vaca Malhada” (tradicional – domínio público);
  • “No Marabaixo é Assim” (Wendel Uchôa/Marcus Paes);
  • “O Meu Quilombo” (Adelson Preto);
  • “Eu Caio, Eu Caio” (tradicional – domínio público).

 

Ficha técnica e produção

Com produção musical e arranjos do músico amapaense Alan Gomes, o single conta com a percussão da tradicional caixa de marabaixo de Nena Silva, representante do Quilombo do Curiaú.

 

A obra foi gravada no estúdio Play Record (RJ), com direção musical de Alexandre Menezes e Alan Gomes. A mixagem e masterização ficaram a cargo de Vanios Marques. O coro é formado por Silmara Lobato e conta com a participação de herdeiros da tradição: Cleane Ramos, Danniela Ramos, Julião do Laguinho e Lorrany Mendes.

 

Um tributo à Amazônia Negra

Ancestralidade, religiosidade e uma profunda conexão com a arte do Norte do Brasil nortearam o projeto. Ao aceitar o convite, Alcione reafirma seu compromisso com a pluralidade cultural de um país miscigenado, contribuindo para evidenciar o Amapá como uma referência fundamental da Amazônia Negra, território de riqueza cultural inesgotável, que merece ser reconhecido e celebrado por todos os brasileiros.

 

 

Caixa de marabaixo: ritmo afro-amapaense executado em tambores artesanais conhecidos como caixas de marabaixo.

 

 


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