Nota 10

Marabaixo leva tradição e ancestralidade ao Palco AfroAmapá na Expofeira 2026

Noite dedicada a uma das maiores expressões culturais do estado, contou com apresentações de nove grupos


 

Tem coisa que não precisa de convite. Basta o tambor tocar. Na última quarta-feira (12), o Marabaixo tomou conta do Palco AfroAmapá, na Expofeira 2026, e transformou o espaço em ponto de encontro entre gerações, comunidades e histórias que atravessam o tempo.

 

A programação reuniu nove grupos de Marabaixo, de diferentes comunidades do Amapá. Entre eles estão Santíssima Trindade da Casa Grande, Gungá, Santa Luzia do Maruanum, Laguinho, Berço do Marabaixo, Filho de Terra, Pavão e Glorioso São José.

 

Para Neto Silva, cantador do Grupo Marabaixo da Gungá, de Mazagão Velho, participar da Expofeira é levar para um público amplo uma manifestação que faz parte de sua própria história.

 

“Marabaixo é meu amor, Marabaixo é minha avó, Marabaixo é tudo aquilo que estamos festejando hoje. E a Expofeira é um espaço muito importante para as nossas comunidades”, conta.

 

A mesma relação de pertencimento aparece na trajetória de Augusto Santos, do Marabaixo de Santa Luzia do Maruanum zona rural de Macapá. Integrante da quarta geração de uma tradição que, segundo ele, existe desde 1910, Augusto vê no palco uma oportunidade de manter viva a memória de seus antepassados.

 

 

A presença dos grupos faz parte de uma programação cultural fomentada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), para colocar o artista amapaense no centro da Expofeira. Ao todo, mais de 400 artistas foram contratados para a programação, com representantes de todos os municípios e de diferentes linguagens.

 

 

“O artista amapaense tem palcos reservados para as suas apresentações. Quem visitar a Expofeira vai poder ver uma rica programação feita pelo artista do estado do Amapá”, destaca a secretária de Estado da Cultura, Clícia Di Miceli.

 

E o Marabaixo ocupa um lugar especial nessa história. Não apenas como apresentação, mas como memória viva. São cantos, tambores, passos e saberes que chegam à Expofeira pelas mãos de quem aprendeu com pais, avós e bisavós, e que agora passa adiante.

 

A presença desses grupos traduz uma proposta que vai além de oferecer atrações ao público. Para a Secult, criar condições para que artistas de diferentes municípios cheguem à programação também significa garantir que eles tenham estrutura para apresentar seu trabalho.

 

Além do cachê, artistas que precisam se deslocar recebem ajuda de custo para despesas como transporte, hospedagem e alimentação. Os espaços também contam com estrutura de palco, iluminação, camarins e equipes de apoio.

 

“Entendendo esse gasto que o artista tem, seja de qual município for, a gente garante esse auxílio”, explica secretária de Cultura, Clícia.

 

 

A programação se espalha por diferentes espaços da Expofeira, com destaque para o Território das Artes, que reúne a Maloca dos Povos Indígenas, o Palco AfroAmapá, a Galeria R. Peixe e o Mini Teatro Caboclo, além do Palco da Rainha, da programação dançante e do circo.

 

É o Amapá ocupando seus próprios palcos, com seus sons, seus sotaques, suas memórias e seus artistas. E, para quem chega à Expofeira, é uma oportunidade de conhecer o estado também pela força de quem transforma cultura em presença, identidade e história.

 


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