Nota 10

Mulheres na PM: ensaio fotográfico homenageia militares do 1º Batalhão

As fotos foram feitas no estúdio de fotografia do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá (Unifap), pelo fotógrafo Doriwendel Souza, que também é policial militar e está na reserva.

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Railana Pantoja
Da Redação

 

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher e também como forma de homenagem, o 1º Batalhão da Polícia Militar do Amapá (PMAP) realizou um ensaio fotográfico com algumas policiais para representar o efetivo feminino que integra o Batalhão Tigre, responsável pela área sul de Macapá.

 

Em um ambiente preponderantemente masculino, homenagear as policiais externa o espaço que as mulheres estão conquistando, incentiva outras a fazerem parte da corporação e desfaz a ideia arcaica de que “para ingressar na Polícia Militar, mulheres precisam perder a feminilidade”.

“Buscamos a essência do trabalho da policial militar, no sentido de demonstrar o quanto nós evoluímos enquanto sociedade, a conquista das mulheres e o reconhecimento, na própria instituição, do trabalho que essas valorosas policiais proporcionam à polícia. Hoje, temos homens e mulheres nas ruas desempenhando suas funções com muito êxito, dando sensação de segurança à população”, falou o capitão Alex Sandro, chefe da Divisão de Relações Públicas e Imprensa (DRPI) do 1º Batalhão.

 

As fotos foram feitas no estúdio de fotografia do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá (Unifap), pelo fotógrafo Doriwendel Souza, que também é policial militar e está na reserva.

“Doriwendel se profissionalizou na fotografia e hoje trabalha na área, então, fizemos a parceria com ele e mostramos a proposta do trabalho. Ele topou e fez as fotos tendo uma perspectiva de policial, naturalmente, e isso foi fundamental, ele fotografou a policial tendo o prisma policial militar. É um momento de homenagear as mulheres numa data histórica, que faz parte das lutas femininas pela igualdade de direito”, frisou o capitão.

 

Caminho

A sargento Riselane, que em 2021 completa 25 anos de serviços prestados à comunidade através da PMAP, lembra que em 1996, quando ingressou, o número de mulheres nas fileiras da PM era mínimo.

“As vagas eram reduzidas: 50 vagas para mulheres e 250 para homens. Na época tínhamos muita dificuldade, pois a gente estava saindo de um ambiente civil para entrar no militar e não tínhamos experiência alguma com Militarismo. Aliás, essa era uma vantagem dos meninos, visto que a maioria que entrava já havia passado pelo serviço militar obrigatório. Passados os seis meses de formação, cada mulher foi para um Batalhão e escreveu sua história em todo canto do Amapá”, relembrou.

 

Durante a carreira, a sargento já passou pela Companhia de Trânsito da PMAP e pelo 2º Batalhão, local onde estava lotada quando ouviu de um servidor do Iapen que ela não poderia tirar serviço no Instituto “por ser mulher”.

“Era uma guarnição composta por um número certo de policiais, mas faltou um e não poderia ficar assim, aí o oficial-adjunto me remanejou para o Instituto. Chegando ao Iapen, o graduado que lá estava disse que eu não podia ficar, ‘por ser mulher’. Fiquei sem saber o que fazer, apesar deles estarem discutindo entre eles, eu estava ouvindo a história. Na época, lembro que afirmei ter condições de tirar o serviço, questionei, mas só fiquei porque o oficial de área determinou. Como o servidor era graduado, ele teve que acatar a decisão. Mesmo assim, não deixou eu ir para a guarita, me colocou em outro local”, contou a sargento, para ilustrar como era ser mulher na polícia anos atrás.

 

Hoje, a SGT Riselane está lotada no 1º Batalhão e diz que essas atitudes, felizmente, não cabem mais nos ambientes da Polícia Militar e, independente do posto que precise ser ocupado, as mulheres tiram serviço.

 

“Não tem essa de dizer que não vamos tirar o serviço em certo lugar por ser mulher, e isso é um avanço muito grande. Quantas conquistas de lá pra cá nós conseguimos, não é?! Por exemplo, no serviço administrativo usamos o cabelo preso, mas é um ‘rabo de cavalo’, antes só podia o ‘coque’. Pequenas conquistas, mas são avanços ao longo dos anos. Temos grandes conquistas também, já existem mulheres comandantes de companhias, batalhões, viaturas e trabalhando no serviço reservado. A mulher, hoje, está em cada cantinho da PMAP, atuando de igual para igual com homens”, finalizou a sargento.

 

Para este Dia Internacional da Mulher, Riselane deixa um recado:

“Que neste dia não só as policiais militares, mas todas as mulheres repensem seu papel na sociedade, no ambiente de trabalho; que você consiga se empoderar, se impor, mesmo que às vezes seja difícil e devagar. Um pouco de cada vez e a gente vai abrindo portas. Eu já estou de saída, mas para as que ficam, desejo que brilhem e conquistem espaços cada vez mais”.

Imagens: Doriwendel Souza/1º BP

 
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