Nota 10

Padre Paulo Roberto anuncia criação da Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo

Objetivo da instituição, segundo o sacerdote, é preservar e valorizar esses segmentos culturais centenários, além de resgatar a memória dos seus pioneiros.

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O padre Paulo Roberto, que entre várias outras atribuições de relevo no estado é fundador e presidente do Instituto Joel Magalhães de Prevenção e Combate ao Câncer (Ijoma) anunciou na manhã desta quarta-feira (10) no programa LuizMeloEntrevista (DiárioFM 90,9) a criação da Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo. Sendo ele, o objetivo da instituição é preservar e valorizar essas segmentos culturais centenário do Amapá e resgatar a memória dos seus pioneiros.

“Desde o último mês de dezembro nós estamos envolvidos na mobilização para criar a Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo, que vai acontecer no próximo dia 23 de janeiro com mais de 23 comunidades envolvidas nesse grande projeto, que vai revolucionar a historia do Marabaixo e do Batuque no Amapá, Macapá em especial”, pontuou e, perguntado sobre a motivação para criação da instituição, ele respondeu que a valorização desses segmentos é necessária para que as raízes culturais do Amapá sejam resgatadas:

– Eu participo do Encontro dos Tambores na UNA (União dos Negros do Amapá) há 22 anos, cujo evento envolve todo um processo de construção das lutas sociais dos afrodescendentes no Amapá; analisando todos os aspectos culturais eu tomei a iniciativa de convocar todos os atores sociais envolvido nesse processo, chamei para uma reunião e procurei mostrar pra eles a importância dessa academia; todos eles aprovaram e estão apaixonados, envolvidos; estamos todos imbuídos pelo sentimento de preservação desses segmentos culturais através da criação da Academia, com o objetivo de não só preservar as memórias dos pioneiros, como também valorizar os atores que estão vivos e acima de tudo mostrar sociedade que o que o setor faz é cultura, literatura. E para isso devemos valorizar aqueles que deixaram a tradição, um legado pra nos, mesmo aqueles que não sejam letrados, que não fizeram faculdade, mas fizeram musicas memoráveis que depois de 100 anos continuam sendo cantadas. Nós queremos que essas pessoas sejam lembradas na academia, porque o Batuque e o Marabaixo são nossas identidades maiores, e por isso não devemos ter vergonha de dizer que nós somos marabaixeiros – explicou.


Também entrevista pelo programa, a marabaixeira Daniela Ramos falou sobre a expectativa em relação à criação da academia: “Eu sou marabaxeira e estou muito feliz com criação da academia por iniciativa do padre Paulo. Todos nós representantes desses segmentos abraçamos a ideia e estamos reunindo semanalmente, já montamos as comissões, entre as quais a organizadora, a da escolha das personalidades e dos patronos, a que está trabalhando na elaboração do estatuto e do regimento interno, como exemplos. Entre os objetivos da academia estão a promoção do congraçamento entre as comunidades e o resgate da memória dos nossos pioneiros, a maioria analfabeta como o padre Paulo falou, mas deixaram seus nomes marcados pelas cantigas antigas dos ‘ladrões do marabaixo’ e pelo ritmo da caixa do marabaixo, aquele cadenciado que é o ritmo tradicional; as expectativas são as melhores, porque vamos ter que ter essa harmonia que não temos hoje através da academia”.

 
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