Nota 10

Piratas Estilizados completa 52 anos estilizando o samba tucuju

Em 1974, surgiu como bloco carnavalesco, como nascem quase todas as escolas: da necessidade de brincar, de cantar a própria existência, de ocupar a rua com alegria


 

Cláudio Rogério
Especial para o Diário do Amapá

 

Há aniversários que não se contam apenas em números. Medem-se em passos marcados no asfalto, em batuques que estremecem o peito, em memórias que insistem em não envelhecer. Assim é Piratas Estilizados, que hoje completa 52 anos de história, não de crescimento, porque crescer pressupõe ter sido pequeno. E Piratas Estilizados nunca foi. Sempre foi grande, imponente, magistral, desde o primeiro sopro de samba que ecoou no Laguinho.

 

Dizer que a agremiação “mais cresceu” nos últimos anos é desconhecer sua essência. Estilizados sempre foi grande porque nasceu grande, forjada no coração de um bairro que pulsa cultura, resistência e ancestralidade. Em 1974, surgiu como bloco carnavalesco, como nascem quase todas as escolas: da necessidade de brincar, de cantar a própria existência, de ocupar a rua com alegria. Mas o que era bloco logo virou destino. O que era ensaio virou história. O que era sonho virou tradição.

 

Considerada, “a mais querida” do carnaval amapaense, Piratas Estilizados construiu sua trajetória no palco da ilusão com um cantar feito de risos e lágrimas. Seus enredos antológicos são páginas vivas de um livro que se escreve a cada fevereiro, povoados por personagens do show da vida. Entre eles, a inesquecível Celi Del Castilho, primeira presidente, símbolo de um tempo em que liderar era também amar e resistir. Ao lado dela, tantos outros fundadores e fundadoras que transformaram vontade em agremiação, e agremiação em patrimônio afetivo do povo laguinhense.

 

 

Todo 5 de janeiro é estilizado de alegria. É dia de revisitar conquistas e lutas, de ouvir novamente o som do tambor afro, do repique número um do saudoso Pedro Ramos, que ainda hoje parece marcar o compasso invisível da escola.

 

É dia de lembrar que o samba também é saudade. E é também eternidade, como a paixão imortal de Maria Vânia Monteiro de Souza, cujo nome permanece vivo, gravado para sempre na história da nação alaranjada, dentro da ala das baianas.

 

Piratas Estilizados estiliza o samba com o DNA alaranjado que nasce do verde amazônico. Um alaranjado que carrega o calor do sol do meio do mundo, a força da floresta e a resistência do povo preto do Amapá. Cada desfile é mais do que espetáculo: é afirmação de identidade, é memória coletiva, é resistência que dança.

 

Que venham muitos outros carnavais, muitas outras travessias nesse mar chamado avenida. Porque Piratas não envelhece, se renova. E como diz o canto que atravessa gerações:

“Estilizado eu sou, o samba é minha paixão, alaranjado é meu coração”.

Parabéns, família alaranjada.

 


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