Nota 10

Piratas Estilizados traz Wander Pires para celebrar 52 anos de história no carnaval amapaense

Festa acontece no sábado, 10, na quadra da Escola Azevedo Costa, no Laguinho


 

Piratas Estilizados completa 52 anos e traz o intérprete da Viradouro, Wander Pires, para a celebração no próximo sábado (10), na Quadra da Escola Azevedo Costa, com participação das co-irmãs, no encontro das bandeiras, e dos pontos técnicos da agremiação do bairro do Laguinho. O intérprete oficial, Catatau, e os integrantes da ala musical – Tom Laranja, e da melhor bateria do Estado, Orquestra de Bambas, prepararam um repertório com muito samba e resgate de sambas-enredo que marcaram os desfiles da Mais Querida do carnaval amapaense.

 

 

Histórico

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas Estilizados (Grespe) tem uma trajetória que reflete como um espelho da profissionalização, da modernização técnica e do aprofundamento cultural do carnaval amapaense, revelando a transição de manifestações espontâneas para espetáculos de grande porte. A evolução da agremiação acompanha a história da manifestação popular no estado, evidenciando mudanças cruciais na infraestrutura, na estética e na responsabilidade social dos desfiles.

 

Iniciou sua jornada conquistando títulos como um “bloco de rua”, uma fase que remete a um carnaval mais informal, antes de ascender ao Grupo Especial da Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap). Essa transição organizacional é marcada geograficamente pela mudança do local dos desfiles: a escola viveu a época dos desfiles na Avenida FAB e a busca de títulos na atual “Era Sambódromo” na Avenida Ivaldo Veras. Essa mudança de palco simboliza a passagem de um carnaval urbano e tradicional para um evento de arena, exigindo maior complexidade logística e artística.

 

A Piratas Estilizados atuou como um motor de inovação estética, forçando a evolução visual do carnaval amapaense. A escola foi responsável por introduzir elementos que hoje são padrões de qualidade nos desfiles, como as Alegorias Vivas, sendo a primeira a levar para a avenida alegorias com movimento e iluminação, chegando a apresentar, ainda na época da Av. FAB, um carro com uma cachoeira jorrando água, algo considerado uma inovação imensa para o período. Inovou ao apresentar a primeira comissão de frente formada exclusivamente por mulheres (anteriormente eram apenas homens) e foi pioneira no uso de alas e casais de mestre-sala e porta-bandeira coreografados.

 

A busca pela modernidade continua presente, refletindo um carnaval que abraça novas tecnologias, como demonstrado pelo uso de um show de drones na abertura do desfile de 2024. A evolução também é perceptível no conteúdo dos enredos, que passaram a abordar questões sociais complexas e a identidade cultural profunda, indo além do entretenimento puro, e adotou posturas de engajamento social, como no enredo “Xô Preconceito”, que levantou bandeiras de diversidade, inclusão e respeito às diferenças. E, foi exaltando a cultura da região Amazônica, o Açaí, que conquistou o bi-campeonato e o título de Campeã do Carnaval 2025, o primeiro da era sambódromo.

 

Carnaval 2026

Para o carnaval de 2026, a escola demonstra a maturação cultural do carnaval do Amapá ao propor um enredo denso sobre ancestralidade, sincretismo religioso (Xangô e São José) e resistência negra. Com o enredo “Toque o Alujá para o Alafin de Oió – A ancestralidade que ecoa nos sagrados tambores”, apresenta uma narrativa que não apenas celebra a festa, mas reitera a luta contra o aniquilamento histórico e o preconceito contra o “povo preto e pobre”.

 

Pode-se comparar a trajetória da Piratas Estilizados à construção do próprio tambor descrito em seu enredo de 2026: assim como Xangô transformou um tronco oco e pele animal em um instrumento capaz de invocar deuses e seduzir até os dominadores com seu ritmo, a escola pegou a estrutura bruta dos blocos de rua e, através da “pele” da inovação e da técnica, criou uma caixa de ressonância sofisticada que hoje ecoa a identidade e a história do povo amapaense para muito além da avenida.

 


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