Rafael Senra traz charmosa pegadinha no clipe Primeiro de Abril
Produção audiovisual trata de canção com narrativa leve sobre encontros, desencontros e equívocos afetivos

O músico e escritor Rafael Senra prepara o lançamento do videoclipe de Primeiro de Abril, faixa do álbum Reenvolver (2021).
A produção audiovisual amplia o universo da canção ao apresentar uma narrativa leve e bem-humorada sobre encontros, desencontros e pequenos equívocos afetivos, ambientados em uma atmosfera que remete à boemia universitária.
Natural de Minas Gerais e radicado no Amapá, Senra também atua como professor de literatura na Universidade Federal do Amapá (Unifap) e desenvolve trabalhos como autor de histórias em quadrinhos e escritor.
Essa diversidade de atuação se reflete em sua produção que combina referências literárias, construção narrativa e elementos da música pop.
Gravado em Macapá entre 2019 e 2020, no estúdio Zarolho Records, Reenvolver é o segundo álbum solo do artista e o primeiro inteiramente autoral. O disco foi mixado e masterizado por Alan Flexa (Maison Mastering) e reúne composições desenvolvidas ao longo de mais de dez anos. Multinstrumentista, Senra gravou a maior parte dos instrumentos, explorando influências que transitam entre o folk, o pop dos anos 1980, o rock progressivo e sonoridades associadas ao Clube da Esquina.
A faixa Primeiro de Abril foi composta originalmente em 2010, em São João del-Rei (MG), a partir de um poema de Guilherme Claudino.
A canção apresenta a perspectiva de uma jovem — interpretada no clipe por Marina Brito — que se envolve emocionalmente com um violonista, papel vivido por Geison Castro.
A narrativa aborda um relacionamento marcado por ambiguidades, no qual não fica claro se houve desencontro de expectativas ou interpretação equivocada dos sentimentos. Para o lançamento do videoclipe, a faixa passou por remasterização e ganhou novos elementos, como a inclusão de contrabaixo.
O videoclipe explora essa ambiguidade ao desenvolver uma história em que um bilhete — descrito como uma “poesia no papel de pão” — desencadeia um encontro. A situação é provocada por uma amiga da personagem, interpretada por Jéssica Thaís, que atua como mediadora entre os protagonistas.
Ao longo da narrativa, a personagem percorre o centro de Macapá em busca do suposto remetente, em um trajeto que evidencia também a transição de um estado inicial de desânimo para uma maior abertura ao ambiente urbano e às interações sociais.
Outro elemento simbólico presente no clipe é o muiraquitã, utilizado como acessório pela personagem principal. Ausente na letra original, o amuleto reforça a conexão da obra com a cultura amazônica e contribui para situar a narrativa no contexto local.
O projeto será lançado no dia 1º de abril de 2026 e foi viabilizado por meio de recursos da Lei Paulo Gustavo, através do Edital nº 14/2023 – Latitude Zero, da Secretaria de Cultura do Amapá (Secult). A produção é assinada pela Baluarte Cultural, em parceria com Brenda Zeni, responsável também pela interpretação da canção.
Segundo a artista, a gravação passou por ajustes de interpretação para alcançar uma sonoridade mais expressiva e alinhada ao estado emocional da personagem.
Com o lançamento, Rafael Senra reafirma sua proposta de transformar narrativas cotidianas em composições de forte apelo poético, explorando nuances emocionais e construções simbólicas que atravessam sua obra.
(Texto: Brenda Zeni e Rafael Senra)
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