Nota 10

Shopping Popular: empreendedorismo de pai para filho, um legado de amor e resiliência

Começar de baixo, lutar para montar o próprio negócio, fazê-lo crescer e, depois, preparar sucessores. Esse é um roteiro bem conhecido no campo do empreendedorismo, não é mesmo? Porém, a história que será contada aqui foge um pouco a essa regra.

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O amor entre pai e filho costuma gerar boas histórias, e neste caso, quando isso se reflete no pequeno empreendimento familiar, é possível perceber a resiliência de dois macapaenses que estiveram na vanguarda de um modelo de negócio que cresce dia após dia e que estará presente no Shopping Popular.

 

O começo de tudo
Em 2008, Evaldo dos Santos, com 42 anos, ficou desempregado. O trabalhador não conseguia mais encontrar trabalho para exercer a sua profissão de torneiro mecânico e soldador. Acostumado com a correria das oficinas de Macapá, Evaldo resolveu migrar para outro tipo de conserto: o de aparelhos celulares.

Nessa época os smartphones se tornaram mais acessíveis aos macapaenses. Empolgado com a possibilidade de ascensão na área, Evaldo chamou o filho, Evangelo Santos, de 17 anos, a quem chamava carinhosamente de Jojó, para ser seu parceiro na nova empreitada.

A partir daquele momento, Evaldo e Jojó elevavam a relação entre pai e filho a um outro patamar. Além do laço sanguíneo, os dois tinham o compromisso de tornar aquele negócio rentável e, assim, proporcionar melhor qualidade de vida aos outros membros da família.
Com o dinheiro que tinham naquele momento, os dois conseguiram montar uma pequena banca amarela com os dizeres “Jojó Celular & Tablet”, no centro de Macapá.

No ano seguinte, o primeiro teste da força de vontade de ambos veio sem avisar: eles foram removidos do espaço junto com outros camelôs e realocados em uma área que viria a ser conhecida como “Feirão Popular”, com a promessa de que, em breve, seria criado um espaço específico para eles, um shopping popular. Muitos anos se passaram e eles permaneceram no mesmo lugar.

Sempre de bem com a vida e apaixonado por samba, Evaldo costumava levar um cavaquinho para animar clientes e os comerciantes ao redor, não deixando que o desânimo atrapalhasse o crescimento do negócio.

“No decorrer desses anos nós enfrentamos muitas dificuldades. Ficamos expostos ao sol, chuva e alagamentos, mas nada disso nos paralisou. Meu pai sempre estava feliz, pois nós conseguíamos sustentar nossa família de forma honesta com o dinheiro desse nosso negócio”, lembra Jojó.

E aos poucos o empreendimento foi ficando mais robusto. Eles conseguiram comprar a segunda banquinha e ampliar a oferta de serviços.
Com o faro apurado para o empreendedorismo, Evaldo percebeu que naquela região havia a procura constante do serviço para amolar alicates de unha. Então ele investiu na área, deixando o filho Jojó com a manutenção e conserto de celulares. 

De pai para filho
Depois de mais de dez anos trabalhando juntos, no dia 09 de julho de 2020, Evaldo dos Santos faleceu aos 54 anos, vítima da Covid-19. Agora, prestes a levar o negócio criado pelo pai para dentro do Shopping Popular, Jojó lamenta não poder compartilhar mais essa etapa da vida com ele.

“Eu fico triste porque eu não posso viver esse momento ao lado dele. Ele esteve ao meu lado em tantas lutas, desde o começo. Tudo estaria perfeito, se não fosse pela morte precoce do meu pai”, lamenta o jovem empreendedor.

Hoje Jojó é casado e pai de três filhas. Com a morte do pai ele assumiu o negócio com a intenção de torná-lo ainda maior com o novo espaço dentro do Shopping Popular. “Era como se ele estivesse me preparando para essa vitória. Sei que de onde meu pai estiver, está feliz por ver que estou trilhando os passos que ele sonhou pra mim”, completa Jojó.
O negócio mudou o nome para ‘Jojó Celular – Assistência Técnica’ e continua prestando serviços de manutenção e conserto de celular, além da venda de peças de smartphones em atacado e amolação de alicates, é claro.
Esse é um dos empreendimentos que serão contemplados com o Shopping Popular, que será inaugurado em maio, pelo Prefeito de Macapá, Dr. Furlan.
Shopping Popular
A obra do Shopping Popular é um investimento na economia popular e incentivo aos microempreendedores. O local será ocupado pelos trabalhadores da Feira do Caranguejo e do Feirão Popular da Avenida Antônio Coelho de Carvalho, no centro da cidade.

A obra foi executada pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Semob) e custou R$ 3.982.125,27. O recurso foi destinado através de emenda parlamentar do senador Davi Alcolumbre (DEM/AP).
O prédio é dividido em dois andares, terá 114 unidades comerciais internas, 20 unidades externas, dois quiosques institucionais, duas áreas de serviço e plataforma de acessibilidade. No andar superior estão sete unidades comerciais, praça de alimentação, e dezesseis banheiros, sendo oito masculinos, sete femininos e um para pessoas com deficiência.
 
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