Polícia

Amapá é o 2º estado em que negros sofrem mais riscos de assassinatos

Dados são do Atlas da Violência 2026 com dados de 2024; a primeira unidade federativa com a marca é Alagoas


 

A análise regional, de acordo com dados relativos a 2024, revela concentração das maiores taxas de homicídios de pessoas negras nas regiões Norte e Nordeste, e o Amapá tem a maior taxa do Norte.

 

Alagoas é o estado do Nordeste em que os negros sofrem mais risco de serem assassinados – 23,3 vezes mais chances em comparação com os brancos. Em seguida aparecem Amapá, com risco 16,7 vezes maior, e Sergipe, com 6,8 vezes mais chance de homicídio.

 

Os dados são do Atlas da Violência 2026, que acabam de ser divulgados e mostram que 32.820 homicídios de pessoas negras foram registrados em 2024. Isso equivale a 77% das vítimas de assassinatos. A média é de 89,9 assassinatos por dia, ou um caso a cada 16 minutos. Segundo o levantamento, a taxa de homicídios é 170,3% superior à de não-negros.

 

A análise regional revela concentração das maiores taxas de homicídios de pessoas negras nas regiões Norte e Nordeste, e os maiores índices aparecem no Amapá (56,8), Alagoas (48,9), Pernambuco (47,6) e Bahia (47,1). Já estados do Sul e Sudeste apresentam índices menores. Em 2024, São Paulo registrou taxa de 8 homicídios por 100 mil habitantes negros, e Santa Catarina, 10,3.

 

Segundo Juliana Brandão, coordenadora temática do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, é muito importante o olhar direcionado para as diferenças regionais. “A leitura territorial das taxas de homicídio, evita uma análise abstrata da violência e dá subsídios para pensar políticas públicas orientadas e focalizadas nas realidades locais”, disse a especialista.

 

Em termos de risco relativo, ou seja, a razão entre a taxa de mortalidade violenta entre negros e brancos, uma pessoa negra tem 2,7 vezes mais chances de ser assassinada. Essa é a realidade em todas as unidades da Federação, com exceção de Roraima, onde o risco relativo foi de 0,5.

 

O levantamento mostra ainda que, ao longo da série histórica de onze anos, entre 2014 e 2024, 435.551 pessoas negras foram assassinadas no Brasil. Entre pessoas não negras, o total de mortos foi de 132.156.

 

Apesar da redução dos homicídios nos dois grupos, o ritmo da queda foi desigual. Entre pessoas não negras, os homicídios caíram 38,9% no período. Entre negros, a redução foi de 21,7%.

 

“Isso nos leva à conclusão de que ser negro no Brasil, hoje, representa maior risco de ter a vida interrompida por um homicídio”, disse Brandão.

 

O Atlas também destaca que a violência letal persiste de forma mais intensa entre mulheres e idosos negros. No caso delas, a taxa de homicídio é 66,7% superior à das mulheres não negras. Entre mulheres idosas negras, a razão é de 1,3 vez.

 

Já homens negros apresentam taxa de vitimização letal 1,7 vez maior que homens não negros da mesma faixa etária.

 

Mais de 15.800 pessoas LGBTI+ foram vítimas de violência

O Atlas da Violência 2026, com dados de 2024, também aponta crescimento das notificações de violência contra a população LGBTI+ e alerta para falhas do estado brasileiro em registrar a motivação desses crimes, o que dificulta a formulação de políticas públicas eficazes.

 

Em 2024, as notificações de violência contra homossexuais e bissexuais cresceram 5,5%, chegando a 10.250 registros. Nos últimos 11 anos, o aumento chegou a 212,7%.

 

Já as notificações de violência contra pessoas trans e travestis aumentaram 2,5% em relação ao ano anterior e chegaram a 5.575 registros. Ao longo dos últimos dez anos, foram registrados ao menos 35.779 casos de violência contra pessoas trans e travestis no sistema de saúde.

 

Os casos envolvendo homossexuais passaram de 7.043 para 7.378 entre 2023 e 2024, aumento de 4,8%. Os registros envolvendo pessoas bissexuais subiram de 2.675 para 2.872 no período, alta de 7,4%.

 

Apenas entre pessoas bissexuais, o aumento foi de 781%, enquanto entre homossexuais alcançou 149,9%. Ao todo, foram registrados 59.790 casos de violência contra homossexuais e bissexuais na última década.

 

Segundo Juliana Brandão, o maior aumento dos registros de violência contra pessoas bissexuais pode ter diversas explicações. “Mesmo que a violência cotidiana contra esse grupo sempre tenha existido, o sistema de notificação passou a registrar muito mais, o que pode estar refletindo tanto a atribuição e denúncia quanto um aumento real da violência”, afirma a especialista.

 


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