Polícia

Comoção marca velório do segundo universitário morto por policial civil

Velório de universitário morto por policial civil é marcado por comoção. Jovem de 21 anos, que estava internado há cinco dias no Hcal, morreu na tarde de quarta-feira (11), na UTI.

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O velório do estudante Ricardo Brito de Oliveira, de 21 anos, é marcado na manhã desta quinta-feira (12) com muita comoção e registro de um grande público na sede do Trem Desportivo Clube, em Macapá. Parentes, amigos e mesmo pessoas desconhecidas lamentaram a morte do jovem, que cursava o último ano de Farmácia na Universidade Federal do Amapá (Unifap).

 

O rapaz, que foi alvejado com três tiros nas costas na noite de sexta-feira (6) por um policial civil no bairro Jesus de Nazaré, em Macapá, morreu por volta de 16h desta quarta-feira (11) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal) para onde ele foi transferido após passar por cirurgia no Hospital de Emergências de Macapá (HEM).

 

De acordo com informações oficiais, ele perdeu um dos rins e após procedimentos cirúrgicos ele permanecia em coma induzido, mas não resistiu aos ferimentos. Os disparos também atingiram um primo dele, o acadêmico de História, também de 21 anos, Ronald Willian Souza de Oliveira, que morreu no local.

 

O autor dos disparos, o policial civil Jorge Henrique Banha Picanço, de 47 anos, era amigo da família e colega de profissão do pai de Ricardo. A Delegacia Geral de Polícia Civil emitiu nota afirmando que o policial teria incorrido em um erro ao interpretar que a entrada dos jovens no estabelecimento comercial seria uma tentativa de assalto.

 

Comoção
Uma equipe do programa LuizMeloEntrevista (DiárioFM 90,9) comandada pelo repórter Costa Filho, esteve no velório e conversou com parentes e amigos de Ricardinho, como ele era conhecido. O clima era de comoção. Um de seus primos, Lucas Nery, falou em nome da família: “Estamos recebendo condolências de muita gente, inclusive de muitas pessoas que a gente nem conhecia. Eram dois jovens, dois primos, iam se formar este ano, um em Farmácia e outro em História; ainda não caiu a ficha, a família está muito abalada, e só nos resta tentar ser fortes para dar apoio ao pai, à mãe e à irmã”.

 

Ele descreveu o que ocorreu no dia dos fatos. “No carro estava o Ricardinho, a mãe dele, o Ronald e um primo nosso, e só desceram o Ronald e o Ricardinho. O policial chegou a disparar contra o veículo, mas graças a Deus não atingiu ninguém no carro; o Ronald e o Ricardinho estavam próximo ao freezer do comércio quando o policial já chegou atirando”. Perguntado sobre a motivação, ele disse que há outras versões, mas prefere aguarda o resultado das investigações.

 

“Os dois estavam junto ao freezer e informações dão conta de que o policial chegou, tomou umas cervejas, comprou uma caixinha, saiu e depois retornou ao estabelecimento. O que a gente ficou sabendo é que após os disparos o Ricardinho caiu no chão e foi nessa hora que ele percebeu que se tratava do Ricardinho, que ele conhecia, eram amigos, era amigo e colega de trabalho do pai, com quem inclusive jogava bola, e se matou. Mas essa história de imaginar que se tratava de assalto não convence, porque além relatos há outras historias, e ele tinha total visão do ambiente, além do fato de que os meninos não tem tinham nenhuma semelhança com bandido. Vamos aguardar o resultado das investigações para sabermos de fato qual foi a motivação”, declarou.

 

Lágrimas
Por telefone o subtenente da Polícia Militar (PM), Jorge Dantas, amigo da família, não conteve as lágrimas. “Essa situação que aconteceu com o meu amigo Ricardinho, que era amigo pessoal do meu filho, frequentava a minha casa, nos pegou de surpresa. Eu conheço o pai e a mãe dele, o Ronald, o pai dele… Eu vi essas crianças crescerem, brincarem, lutarem por um objetivo; o meu filho, Tadeu, que tem a mesma idade dele, está inconsolável; eu conheço o Negão há muito tempo, a gente faz aniversario mesmo dia, 5 de abril, e temos a mesma idade, e agora também estou sentindo essa dor; perdoem por estar chorando”.

 

O policial militar rechaçou versões desencontradas nas redes sociais sobre o caso. “O que revolta a gente é que têm pessoas maldosas dizendo nas redes sociais que o policial ouviu alguém dizer que era assalto, mas isso não existiu. Por favor, respeitem a dor da família. Eu não tenho autorização pra falar em nome da família, mas eu tinha uma ligação muito forte com a família, o Ricardinho frequentava a minha casa, me tomava a benção, me beijava, me chamava de tio; são pessoas maldosas. É só ver os históricos dos dois, são históricos maravilhosos e estavam iniciando a vida profissional; mas a gente entrega a Deus; que Deus conforte toda a família nessa situação totalmente adversa; que Deus cubra a família com o manto sagrado dele”.

 

O sepultamento do corpo de Ricardo Brito está marcado para ocorrer às 16h no cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Macapá.

 
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