Compra de votos com cesta, dinheiro e até droga marcou a eleição no Amapá
Das 22 denúncias registradas, mais da metade era por compra de votos e apenas um caso terminou na PF; balanço mostra que PM gastou dia averiguando denúncias que não se confirmaram

Elen Costa
Da Redação
O dia da eleição no Amapá foi barulhento no rádio do Ciodes. A cada minuto chegava uma denúncia nova. Mas no fim do dia, o saldo real foi bem diferente do volume de denúncias.
Foram 22 acionamentos em oito horas de votação. O principal motivo que levou o eleitor a ligar para denunciar foi um só: a velha compra de votos.
Segundo o levantamento, 54% de todas as denúncias – 12 no total – foram por compra de votos e entrega de dinheiro. E não era só dinheiro. As denúncias relatavam troca de voto por cesta básica, por dinheiro vivo e até por drogas. Foi o crime eleitoral mais denunciado, disparado.
Na sequência vieram a boca de urna e as aglomerações na porta das zonas eleitorais, com 18% dos casos, e o transporte irregular de eleitores em vans, com 14% – quase sempre ligado também à suspeita de compra de votos.
Mas o que mais chama a atenção no balanço não é o tipo de crime, e sim o que aconteceu com essas denúncias depois que a viatura foi aos locais
De 22 chamadas, 13 foram despachadas e averiguadas e terminaram com “nenhum indício constatado”. A viatura chegou e não tinha nada. Outras conco ocorrências sequer foram atendidas porque não tinha recurso operacional – tinha denúncia demais ao mesmo tempo. Outras três ficaram com dados insuficientes.
No fim do funil, sobrou apenas uma ocorrência que virou ação de verdade. Foi a única que saiu do rádio e terminou na sede da Polícia Federal. Aconteceu às 13h43, em um posto de combustível na rodovia Duca Serra. A denúncia era de abastecimento em massa, que é crime eleitoral.
Diferente das outras, essa não era só uma denúncia anônima solta. Ela veio com pedido de apoio da Procuradoria Eleitoral, com protocolo, e teve duas viaturas despachadas ao mesmo tempo. A abordagem foi feita em conjunto e o caso se materializou, com deslocamento escoltado para a PF.
O próprio balanço resume o diferencial: enquanto as averiguações isoladas da PM, geradas por denúncia anônima, não deram em nada e ainda saturaram a rede do Ciodes, a única que deu certo foi a que teve inteligência prévia e ação de várias agências juntas.
O dia da eleição mostrou duas faces: o eleitor ainda denuncia muito a compra de votos, mas a avalanche de denúncias não confirmadas quase travou o trabalho de quem estava na rua para fiscalizar.
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