Delegados apuram venda de armas por policial militar
Cabo Diego Andrade foi colocado em liberdade na audiência de custódia, com o uso de tornozeleira eletrônica; Justiça determinou ainda que agente não poderá ter acesso a armamentos, pelo menos enquanto durar investigação

Elen Costa
Da Redação
Após ser preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e munição de uso restrito, o cabo da Polícia Militar, Diego Andrade, foi colocado em liberdade na audiência de custódia, com o uso de tornozeleira eletrônica. A Justiça determinou ainda que o agente não poderá ter acesso a armas, pelo menos enquanto durar a investigação.
Neste sábado, 24, os delegados responsáveis pela investigação que resultou na detenção do militar participaram do Programa ‘Togas e Becas’, na Diário FM, e falaram sobre o caso.
Mauro Ramos, titular da 3ª Delegacia Fluvial, explicou que como acontece na maioria das vezes uma denúncia ajudou a polícia a encabeçar a investigação.
“As características que foram repassadas, que eram específicas, detalhando a tatuagem que ele tinha no braço, o estereótipo, o tipo de carro que ele andava e, até mesmo o manejo dele que ocorreu recentemente de Laranjal do Jari para Macapá, foi fundamental para darmos andamento nos levantamentos”.
As investigações duraram uma semana e aconteceram de maneira integrada com o Núcleo de Operações e Inteligência (NOI) da Polícia Civil e a Divisão de Inteligência da Polícia Militar.
O delegado frisou que embora haja informações que Diego oferecia armas de fogo nas redes sociais, o flagrante contra ele se deu devido à arma com numeração suprimida encontrada dentro do veículo e a munição de fuzil calibre 556 que foi encontrada dentro da residência dele.
“Ainda não temos a confirmação que ele tenha ligação com facções criminosas, nem mesmo do comércio ilegal e armas de fogo, que foi a denúncia inicial. O que sabemos, é que ele fazia o oferecimento desses armamentos em grupos de Wahtsapp que ele participava, inclusive, perguntava se alguém tinha arma para vender. Ou seja, ele tratava abertamente desse tipo de negociação. Mas, ainda estamos extraindo dados, do próprio celular dele que foi apreendido, para identificarmos e confirmamos essas supostas vendas e chegarmos a possíveis compradores”, detalhou Ramos, completando que a respeito da munição de fuzil, que é de uso exclusivo, o policial não estava participando de nenhum curso específico dentro da instituição, que justificasse a posse da mesma.
A pistola com numeração raspada foi encaminhada para perícia. A partir da identificação numérica a polícia pretende chegar à origem do armamento e dar prosseguimento nas investigações.
O delegado Éder Martel, coordenador do NOI, destacou o trabalho das forças de segurança em cortar na própria carne integrantes que atuam na contramão da conduta policial.
“Novas informações vão chegando, novas denúncias surgindo e nós vamos apurar todas. E, sempre que for preciso, iremos retirar as maças podres das nossas instituições. A população pode ficar tranquila e confiar nas nossas forças, porque essas situações não maculam as nossas polícias, porque somos nós que filtramos e nós mesmos que prendemos. Qualquer criminoso, pessoa com conduta duvidosa que tente fazer parte das nossas unidades, não vai prosperar”, garantiu Martel.
A prisão
O cabo Diego Andrade foi preso na quinta-feira, 22, por suspeita de vender armas de fogo e munições para criminosos. A informação foi recebida através de denúncia anônima pela 3ª Delegacia de Polícia Fluvial e apontava que o agente teria sido transferido do município de Laranjal do Jari para a capital, depois que desconfiarem que o mesmo havia desviado armamentos no batalhão em que trabalhava.
Após monitoramento, e com o apoio da Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam) do Bope, as equipes interceptaram o veículo – um Honda Civic de cor cinza – em que o PM estava, no bairro Pedrinhas, zona sul de Macapá.
A ação resultou na apreensão de duas armas de fogo, uma de uso pessoal e outra com a numeração suprimida que foram encontradas no interior do carro do policial.
Andrade recebeu voz de prisão e foi conduzido à delegacia para os procedimentos legais, onde foi autuado em flagrante.
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