Polícia

Direitos Humanos da OAB acompanha caso de morte em intervenção policial

Terça-feira, 11, Mário Soares Pereira foi morto a tiros por homens do Bope; ele não teria antecedentes criminais, diz a família.

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Douglas Lima

Da Redação

 

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Amapá (OAB-AP) acompanha o caso da morte de Mário Soares Pereira, 39 anos, durante uma intervenção policial militar exclusivamente contra ele no bairro Beirol, terça-feira passada, dia 11, pouco depois do meio dia.

A entrada da OAB, no caso, foi anunciada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Adolfo Nery, no programa ‘Togas e Becas’ (Diário FM 90,9), na manhã deste sábado, 15. O advogado informou que a comissão por ele presidida foi procurada por familiares de Mário Soares Pereira. O causídico também informou que vai pedir a entrada no Ministério Público nas investigações da morte.

Segundo descrição de Edinho Pereira, irmão do homem morto pela PM, através do Bope, Mário estava na casa dele, situada na avenida Tamoios, 320, Beirol. Entrou na casa, mas logo teve que sair para comprar água mineral em garrafões.

Ao voltar, logo que desceu do carro para carregar o primeiro garrafão para dentro da casa dele, policiais do Bope chegaram numa viatura, atirando em Mário, que foi logo atingido, mas ainda pôde correr para cair adiante, onde recebeu tiros à queima roupa dos militares.

Toda a cena acima descrita foi narrada por Edinho, também no programa Togas e Becas. O secretário estadual de justiça e segurança pública do Amapá, coronel PM Carlos, ligou pelo telefone para a Redação do Jornal Diário do Amapá, pedindo a gravação do programa. Supõe-se que a iniciativa dessa autoridade foi para saber de todo o teor do assunto tratado no rádio, para então se pronunciar.

Também no estúdio radiofônico se encontrava o advogado amapaense Maurício Pereira, que falou como membro da Comissão Nacional dos Direitos Humanos da OAB. Ele revelou ter todo um estudo a respeito das mortes ocorridas no Amapá por intervenção policial, tendo chegado à conclusão de que o estado tem a polícia que mais mata no Brasil, em decorrência da impunidade.

Ainda sobre Mário Soares Pereira, segundo a polícia, ele seria ladrão e traficante de drogas, e pertencente a uma quadrilha de desmonte de motocicletas roubadas. O ataque da polícia teria ocorrido porque o acusado, armado, teria revidado à abordagem dos homens do Bope.

O irmão Edinho nega que Mário tenha alguma vez se envolvido com roubo e tráfico de drogas. “A ficha dele era limpa; pode procurar a Justiça; a única coisa era que ele fazia serviço comunitário por ordem da Justiça porque cometera um deslize social leve”, confessou Edinho.

O advogado Maurício Pereira lembrou que Mário fechou uma sequência diária de três mortes cometidas por policiais militares: domingo foi morto um garoto de 15 anos de idade, segunda feira um rapaz do qual também não citou o nome e na terça, Mário Soares Pereira.

O presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB lembrou que no ano passado a polícia matou oficialmente 56 pessoas no Amapá, mas que o número pode ter sido maior, porque na divulgação da estatística houve omissão de óbitos no interior do estado.

“Estatisticamente, em termos proporcionais, o Amapá está entre os estados em que a polícia mais mata, e em muitas vezes há comprovação de que as vítimas eram pessoas inocentes”, atestou o advogado Maurício Pereira, defendendo que casos de morte em supostos confrontos voltem para ser resolvidos pela Delegacia de Crimes Contra a Pessoa (Decipe), que dispõe de delegados preparados e estrutura para investigações, ao contrário das delegacias de bairro para onde no momento as ocorrências estão sendo levadas.

 
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