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Fim de semana marcado por ‘banho de sangue’ deixa ao menos 13 mortos no Amapá

Confronto entre facções deixou saldo negativo de pelo menos 13 mortos. Secretário de Segurança Pública diz que órgãos de inteligência identificaram forte movimentação dentro do Iapen, e que guerra teve estopim a partir da morte do familiar da liderança de uma das facções.


Elden Carlos
Editor-chefe

 

O final de semana foi marcado por um banho de sangue entres os municípios de Macapá e Santana, na Região Metropolitana do Amapá, em razão de uma guerra declarada entre duas facções rivais. O estopim teria sido a execução do filho de uma das principais lideranças de uma dessas organizações. O assassinato foi gravado e divulgado nas redes sociais pelos matadores, o que deixou o clima ainda mais tenso.

O saldo do final de semana foi de pelo menos 13 mortos nos ataques. As ações ocorreram em várias regiões da capital e do segundo maior município do Amapá, principalmente, em áreas de grandes aglomerados [baixadas]. Após a morte do filho dessa liderança, foi emitido um ‘salve’, como é chamada qualquer ordem dada pela cúpula da facção, para que integrantes da facção oposta também fossem executados. “Senta o dedo sem piedade”, descrevia parte do texto.

De acordo com o secretário de Estado da Justiça e Segurança Pública, coronel PM Carlos Souza, que concedeu entrevista na manhã desta segunda-feira (24) ao programa LuizMeloEntrevista (Diário 90,9FM) as ordens para a matança teriam sido repassadas de dentro do Iapen. De imediato foi aplicado um protocolo de defesa para debelar a situação dentro e fora da cadeia.

“Nós temos sete organizações criminosas devidamente relacionadas e acompanhadas pelos serviços de inteligência do Estado. A Sejusp identificou a declaração de guerra entre duas facções a partir da execução do familiar de uma das lideranças. Para se entender, os líderes dessas duas facções envolvidas estão dentro do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). A partir disso, desencadeamos o protocolo de segurança dentro da cadeia para isolar os ‘sintonias gerais’, ou seja, aqueles que comandam a organização. Houve uma situação tensa dentro do cadeião. Foi realizada a contenção por parte do Grupo Tático Prisional (GTP) e Batalhão de Operações Especiais (Bope). Também realizamos a disseminação das informações de inteligência para as equipes de rua, no sentido de evitar que pessoas inocentes acabassem mortas”, disse o secretário.

Ainda de acordo com o titular da Segurança Pública, o rastro de sangue deixado pelos confrontos quebrou uma sequência de queda no número de registro de mortes violentas desde o início do ano.

“Os números dessa ‘guerra’ preocupam bastante o sistema de segurança pública. Nós já temos, por causa desse final de semana, mais mortes do que as registradas nos meses de março e abril, juntos. Já tínhamos, desde janeiro, uma redução de 33% dos crimes violentos, letais, intencionais”, declara.

Carlos Souza também revelou que os criminosos saíram dispostos ao ‘tudo ou nada’. Ele explicou que durante alguns atendimentos feitos pelas forças de segurança houve a investida de faccionados contra os agentes públicos, resultando em confrontos diretos.

“Ainda tivemos o problema no atendimento. Inclusive, com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) sendo atacada a tiros por criminosos. Imagine, temos um carro com faccionados que saem com intuito de matar um rival, e quando se deparam com as forças de segurança eles não tem a intenção de se render e vão para o confronto, assim como foi com policiais militares do 6º Batalhão de Polícia Militar (6º BPM). Mas, o Estado sempre vai responder proporcionalmente. Nossa missão é preservar vidas, iniciando pelo agente de segurança que precisa preservar sua própria vida para proteger o cidadão de bem”, garante.

Para o secretário, a quebra no sistema financeiro das facções, decorrente das inúmeras apreensões de drogas [moeda mais lucrativa do sistema], fez com que a disputa por territórios aumentasse, gerando um conflito ainda maior.

“Eles começaram a invadir com maior violência os ‘territórios’ para tentar tomar o controle das bocas de fumo e outras ações, então, intensifica esse confronto. Isso é reflexo das ações que temos realizado no combate ao tráfico de drogas. Tivemos consideráveis apreensões e essa quebra do sistema financeiro os obriga a tentar fazer capital a qualquer custo. Mas, vamos continuar atuando com inteligência, principalmente, para desarticular esses grupos e, repressivamente, quando houver necessidade”.

Durante o trabalho de inteligência as forças de segurança ainda vislumbraram um novo quadro nessa guerra. A ameaça direta de familiares dos faccionados.

“Outra situação identificada é a ameaça aberta aos familiares. Eles tinham um código de que ‘com familiar não se mexe’, e dessa vez foram feitas ameaças, inclusive, nominando possíveis alvos. E isso se torna ainda mais perigoso”, observa o gestor.

Neste domingo (23), as cúpulas das facções decidiram emitir um ‘salve de cessar fogo’, pondo fim aos ataques e consequentes mortes. O salve foi interceptado pelo serviço de inteligência da Sejusp.

“Eles suspenderam os ataques com esse ‘salve’. Agora, teremos o desdobramento de tudo isso, com a Polícia Civil entrando com um trabalho forte de investigação e vamos ter operações para que os autores sejam identificados e responsabilizados. Já conversei com o delegado-geral da PC, delegado Uberlândio Gomes, o comandante-geral da PM, Cel. Paulo Mathias, e o diretor do Iapen, Lucivaldo Costa, para que possamos estar ainda mais alinhados. Não pode se dizer que passado o final de semana está tudo normal, não está. Vamos responder à altura”, concluiu.


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