Polícia

Homem que esquartejou mulher de 63 anos narra em depoimento como executou a vítima

Diário teve acesso com exclusividade ao depoimento prestado por Yuri Rodrigues Farias, de 23 anos, o ‘Branco Velho’, que matou e esquartejou a pensionista Vanilce Ester da Silva Coutinho, de 63 anos.

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Elden Carlos
Editor

 

Uma operação conjunta entre o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e a Delegacia Especializada em Crimes Contra Mulher (DECCM), deflagrada na tarde de quarta-feira (01) no residencial Macapaba, zona norte de Macapá, resultou na prisão do faccionado Yuri Rodrigues Farias, de 23 anos, o ‘Branco Velho’, que confessou ter participado do esquartejamento da pensionista Vanilce Ester da Silva Coutinho, de 63 anos, cujo corpo foi encontrado em pedaços dentro de uma mala e uma saca plástica na tarde do dia 25 de maio deste ano no apartamento onde ela morava, no mesmo conjunto.

 

Na tarde desta quinta-feira (02) a operação foi detalhada durante entrevista coletiva na sede da DECCM pelo comandante do Bope, major Kleber Silva, e as delegadas,     Marina Guimarães, que preside o inquérito, e, Sandra Dantas, coordenadora-geral da especializada.

Segundo o major Kleber, Yuri foi preso inicialmente em flagrante por tráfico de drogas (Art.33). “Iniciamos a operação com pelo menos sete equipes. Havia várias denúncias e montamos essa operação conjunta. Durante as buscas, flagramos essa pessoa com drogas no apartamento onde ele reside. Durante interrogatório ele confessou vários crimes, inclusive, o envolvimento como executor de Vanilce”, disse o comandante do Bope.

 

A presidente do inquérito, delegada Marina Guimarães, relatou que ao confessar o homicídio qualificado, Branco Velho afirmou ter matado e esquartejado a pensionista por vingança. “Ele [Yuri] declarou que matou a senhora Vanilce motivado por vingança, afirmando que ela matou a própria neta, de 12 anos, cerca de um mês antes, e que como vingança decidiu agir da mesma forma. Agora, não podemos considerar que tudo o que ele disse é absolutamente verdadeiro. Vamos aprofundar as investigações a partir de agora”, declara.

 

Depoimento

O Diário teve acesso, no sistema Tucujuris, ao depoimento prestado por Yuri Branco Velho à polícia. Ele relata na inicial que conhecia Vanilce apenas de ‘vista’ e que sabia que a mulher maltratava a neta, inclusive, afirmando que Vanilce chegou a pagar pessoas para bater na criança.

Yuri ainda relata que tomou conhecimento de que foi a mulher quem matou a neta, no banheiro do apartamento, com a ajuda de outras pessoas, mas sem citar nomes de supostos envolvidos no esquartejamento da criança.

 

O investigado segue o interrogatório dizendo que ‘eles’ ficaram revoltados pela forma como a avó matou a neta, e que resolveram fazer o mesmo com ela. No dia 25 de maio, por volta de 14h, diz Yuri, ele estava empinando papagaio e fazendo uso de substância entorpecente com Maicon Santos de Oliveira, o ‘Cara de Porco’, quando avistaram Vanilce entrando no bloco.

 

“Que como a porta estava aberta, ambos entraram já “furando” (textuais) Vanilce e indagando-a nos seguintes termos: quem foi? Quem foi que matou tua neta? (textuais)”, diz um dos trechos do depoimento.

Branco Velho conta que Maicon desferiu o primeiro golpe e em seguida eles passaram a esfaqueá-la. Também revela, friamente, que usou um terçado para atingi-la na cabeça [Vanilce ainda estava viva]. Depois, a esquartejaram. O investigado também diz que a intenção era jogar o corpo no mesmo local onde o cadáver da criança foi desovado, mas que isso acabou frustrado com a chegada da polícia.

 

Yuri segue narrando de forma gélida o modus operandi. À delegada ele diz: “Que fugiu pelo “fosso” (textuais) do residencial, lavou as mãos que estavam impregnadas de sangue, e voltou para ver o movimento da polícia; que chegou a ver a Polícia Militar chegando e retirando o corpo de Vanilce de dentro da casa”, diz outro trecho do depoimento.

Ao término das declarações oficiais, o homem ainda sugere, que, no residencial, o crime é quem acusa, julga, condena, sentencia e executa a pena: “Que resolveram matar Vanilce com o intuito de fazer “justiça” com as próprias mãos, pois lá eles não trabalham com a polícia”.

Debochado, ele conclui dizendo que sua prisão, pelo Bope, na quarta-feira (01) ocorreu no momento em que ele entrou no apartamento para tomar banho. “Não deu nem tempo de entrar e fugir pela janela”, diz o investigado no depoimento, afirmando que já esperava pela prisão.

 

Reportagem e fotos: Jair Zemberg

 
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