Polícia

Juiz federal do Pará manda “ex-investidor” Elton Lira para prisão domiciliar com uso de tornozeleira

Elton está com saúde debilitada e teria perdido quase 50 quilos dentro de penitenciária no Pará

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Paulo Silva
Editoria de Política

O juiz Antônio Carlos de Almeida Campelo, da 4ª Vara Criminal da Justiça Federal do Pará, concedeu prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, para o “ex-investidor” Elton Félix Gobi Lira, acusado de aplicar golpes em prefeituras do Amapá, interior do Pará, Tocantins, Santa Catarina e no Banco Regional de Brasília.

A decisão foi tomada depois que a defesa de Elton Lira alegou que ele se apresenta com sérios problemas de saúde (vômito e diarreia persistentes), tendo perdido pelo menos 48 quilos na cadeia e necessitando da ajuda de outros presos para fazer necessidades fisiológicas.

Elton Gobi Lira é réu em processo que investiga desvio de mais de R$ 30 milhões em recursos de fundos de previdência de prefeituras dos estados do Pará, Tocantins, Santa Catarina e Amapá e em banco de Brasília. Em fevereiro do ano passado, ele teve denúncia aceita pelo juiz Antônio Carlos Almeida Campelo. Elton fez farras e aplicou um golpe de quase R$1 milhão na Sanprev, o instituto de previdência do município de Santana, no Amapá.

Em Brasília, um dos depoentes entregou documentos que ligam Elton ao ex-vice-presidente do banco, Niban de Melo Júnior. Um dossiê com fotos, documentos e comprovação de pagamentos de propina, revela que o empresário Elton Félix Gobi Lira, da empresa Êxito Consultoria, que se apresentava como operador do mercado financeiro e arrecadador de recursos de fundos de previdência junto as prefeituras nos estados do Pará, Tocantins, Santa Catarina e Amapá tinha um braço forte dentro do Banco Regional de Brasília (BRB), trata-se do então diretor vice-presidente do BRB, Nilban de Melo Júnior, que chegou a participar de evento no Amapá.

De acordo com as investigações da Polícia Federal (PF), o dinheiro arrecadado pela quadrilha nunca retornou aos cofres públicos.
No Banco Regional de Brasília, Elton ainda mantinha contatos com funcionários ligados ao ex-diretor vice-presidente, Nilban de Melo Júnior, que estavam lotados no BRB-DTVM e fundos de investimentos imobiliários do BRB. O dossiê revelou a estreita relação de Nilban com Elton em fotos, agendas e trocas de mensagens por WhatsApp.

Elton, que estava preso no Pará e chegou a ter prisão decretada no Amapá, afirmou que repassava recursos a Nilban e outros diretores do BRB e do BRB DTVM para participarem e patrocinarem eventos voltados à RPPS no Norte e Nordeste do país. O objetivo era atrair recursos para as gestoras Terra Nova e NSG (Icla Trust), este último teve como diretora, Andreia Lopes, presa pela PF na operação Circus Maximus no BRB. O empresário afirmou ainda que pagava propina a Nilban em forma de palestras e eventos.

Graças a presença do BRB como patrocinador e com a ajuda de Nilban o grupo de Lira teria conseguido captar recursos no Amapá para os fundos que geria, rendendo propina para o grupo do BRB e para gestores do Amapá.

A BRB DTVM foi administrador do FIP Cais Mauá, investigado pelo MPF do TO pelo desvio de mais de R$ 30 milhões do RPPS de Palmas. Nilban ajudou o presidente do Cais Mauá, Ademir Gouvêa a montar um FIP Imobiliário que era administrado e distribuído pelo BRB.

Outro fato que chamou a atenção da Força-Tarefa é o escoamento de recursos numa farra de patrocínios que o BRB promovia a esportistas e shows, em grande parte não contabilizada, todos liberados por Nilban de Melo Júnior, Vasco Gonçalves e Ricardo Leal, até então, presidente do Conselho Administrativo do BRB.

Chegou-se a anunciar que Elton Félix Gobi Lira estaria em tratativas para realização de acordo de colaboração premiada. Com isso, vários personagens pelo Brasil a fora deveriam ser alcançados pela Força-Tarefa, que começou a apurar as fraudes nos fundos de pensão.

 
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